Batalha por Saggittor

 

Aurec lutando pela liberdade da galáxia Saggittor

 

 

CICLO MORDRED

7

BATALHA POR SAGGITTOR

 

POR

NILS HIRSELAND

 

IMAGEM DA CAPA

GABY HYLLA

 

 
 

Título Original:

Kampf um Saggittor

 

Tradução:

Marcos Roberto

 

Revisão:

Marcel Vilela de Lima

Márcio Inácio Silva

 

Formatação final para liberação no Projeto Traduções:

Márcio Inácio Silva

 

Capa em português

Manuel de Luques

 

Conversão para os formatos ePub, PDF e Mobi:

José Antonio

Publicação não comercial

 

O projeto Dorgon — ciclo Mordred — é uma publicação não comercial do PERRY RHODAN ONLINE CLUB e. V.

 

A tradução para o Português do Brasil é feita com autorização de Nils Hirseland.

 

Perry Rhodan® é uma marca registrada

Verlagsunion Erich Pabel – Arthur Moewig KG (VPM KG), Rastatt, Germany,

Star Sistemas e Projetos Gráficos Ltda., Belo Horizonte, Brasil

www.projtrad.org/dorgon

dorgon@projtrad.org

  1. O que aconteceu até agora 

 

Em outubro de 1285 NCG, a espaçonave de luxo LONDON parte para um cruzeiro no Grupo Local. A nova espaçonave capitânia da Liga Hanseática Cósmica leva as tradicionais empresas terranas a novas alturas.

A bordo também se encontra Perry Rhodan, que leva o prestigioso somerense Sruel Allok Mok para Camelot na LONDON. Entre os ilustres convidados não está apenas a família arcônida Orbanashol, mas também a seita “Os filhos da fonte de matéria”, liderada pelo pai Dannos.

Eles estão em uma autoproclamada missão cósmica e sequestram a LONDON. Mas seu “plano cósmico perfeito” falha quando uma espaçonave desconhecida aparece e leva a LONDON para a galáxia M-64. Após a espaçonave de luxo ser transferida para o passado pela encarnação cósmica Rodrom, Perry Rhodan tenta retornar ao seu universo natal. Finalmente acontece a BATALHA POR SAGGITTOR...

 

Personagens principais:

Perry Rhodan – O portador de ativador celular tem um novo inimigo.

Rosan Orbanashol – A meio arcônida desliza de uma catástrofe para a próxima.

Wyll Nordment – Ele está lutando pelo amor de Rosan.

Sam – O somerense é um auxiliar importante de Perry Rhodan.

Aurec – O jovem saggittonense lutando pelo futuro de seu povo.

Rodrom – A encarnação da poderosa entidade MODROR pratica uma vingança cruel.

Sato Ambush – O pararrealista no meio de pararrealidades e universos paralelos.

Stewart Landry e Gucky – Eles estão procurando a LONDON.

 

  1. Capítulo 1 

Procurando pela LONDON

 

08 de novembro de 1285 NCG

Stewart Landry e Gucky se sentavam entediados na caixa e se fartavam com doces.

Sua comida é realmente única — apontou Landry para o saco de balas de goma, quando tinha terminado.

Gucky deu um arroto e sorriu timidamente. Já estavam há onze dias em viagem. Um tempo muito longo para ficar parado, mesmo que não lhes faltasse nada em seu esconderijo, o recipiente de cinco por cinco metros.

Gucky tinha teleportado todo o ouro armazenado nesse recipiente e o carregado com equipamentos para os dois agentes. Todos os tipos de aperfeiçoamentos técnicos, material de dormir, eletrônicos de diversão, alimentos e até mesmo uma pequena instalação sanitária, que desintegrava os excrementos imediatamente e alimenta um gerador de energia de pequeno porte, abastecendo-o de eletricidade. Apenas não tinham pensado num ionizador de ar para tornar as visitas diárias ao banheiro da pequena área mais agradáveis.

Mas Stewart Landry não era um homem que gostava especialmente de ficar de braços cruzados. Gucky já tinha tentado convencer o agente da SLT do poder de cura da ociosidade.

A “Guckyioga” era o método aperfeiçoado para levar corpo e mente a entrarem em harmonia com o resto do Universo. As principais regras da fórmula de meditação de Gucky eram: comer, beber, dormir e se mover o mínimo possível. Era necessário tornar a mente livre de quaisquer obrigações para aproveitar a inércia e ganhar força a partir da preguiça espiritual e física.

Enquanto o rato-castor não tinha problemas com a implementação, Landry na maioria dez vezes nos últimos onze dias teria preferido invadir a central de comando do tal de tio Dimytran.

Gucky monitorava telepaticamente os pensamentos do “filho da fonte de matéria”. Porém, Landry era estabilizado mentalmente, então Gucky não ficava tentado a farejar os pensamentos de seu parceiro.

O cruzador CERES estava no espaço vazio entre a Via Láctea e Andrômeda. A tripulação de cinco membros sabia pouco sobre Dimytran e o sequestro. Eram ignorantes mercenários, a quem uma grande soma foi prometida. Apenas Dimytran sabia mais sobre a operação. O objetivo era a galáxia remota UGCA-092, que nem sequer tinha nome próprio, de tão sombria e isolada. Se Gucky lembrava corretamente, ela estava ao lado de Cata-vento no Grupo Local.

Dimytran pensou que encontraria lá a LONDON, com Dannos. Porém, antes disto, encontrariam com uma espaçonave de Mordred para obter mais instruções. O nome Mordred assombrava continuamente os pensamentos da tripulação desinformada.

Obviamente, Mordred era o cérebro de toda a operação. Finalmente eles poderiam descobrir mais sobre esta organização nebulosa, que aparecia por trás dos bastidores, recrutando mercenários inescrupulosos para as ações dirigidas contra a LTL e, especialmente, contra Camelot. Gucky nunca ouvira o nome Mordred antes do rapto da LONDON, e também nas bases de dados de seu picosin havia uma grande lacuna sobre isso. É possível que fosse um novo movimento, talvez uma organização terrorista, embora Gucky estivesse desconfiado dessa designação. No presente momento, este termo era usado cada vez mais.

De qualquer forma, o rato-castor recapitulou que os filhos da fonte de matéria eram apoiados por Mordred. Supunha-se que o sequestro da LONDON fora realizado com sucesso, porque além de provas fotográficas e de vídeo, quaisquer contatos com ela foram encerrados. E se ela havia desaparecido no avanço para Andrômeda, provavelmente estaria em algum lugar nos arredores da galáxia UGCA-092.

Como um rastro de migalhas de pão, Landry demarcou uma assinatura criptografada, dificilmente mensurável, especificamente para os sensores da FREYJA e também do cruzador da LTL NORTH CAROLINA. Assim, os comandantes Xavier Jeamour, seguido de Henry Portland, sabiam do curso do cruzador CERES.

Após este processo de pensamento extenuante, Gucky decidiu dormir um pouco novamente. De qualquer forma, ele não poderia fazer qualquer outra coisa mesmo.

 

***

 

13 de novembro de 1285 NCG

Isto está muito enfadonho — murmurou Landry, irritado.

É como um período de férias. Só que sem sol e sem praia — respondeu Gucky lentamente.

E sem mulheres — observou Landry, sobriamente. Ele se levantou e se espreguiçou.

O curso do cruzador CERES passou lateralmente por Cata-vento, em direção de UGCA-092. O navegador pensava que finalmente chegariam ao seu destino em quatro dias. Fora isso, os pensamentos da tripulação ainda eram muito primitivos. O localizador pensava em quantas prostitutas poderia pagar com sua parte, enquanto os pensamentos do navegador constantemente giravam em torno de comer e beber.

Dimytran imaginava seu futuro em uma colônia tefrodense em Triangulum. Ele já tinha escolhido um mundo selvático idílico para viver lá uma vida de luxo, como na Roma antiga. A administração tefrodense do pequeno enclave, que estava constantemente à beira da extinção por causa dos kartanins, tinha prometido o planeta desejado a Dimytran, como uma posse pessoal, em troca de assistência financeira e armas. Lá, ele planejava construir uma mansão que lhe daria todo o luxo imaginável. Então, a intenção autoproclamado do “tio” era usar as relações sociais feudais de um pequeno ramo dos tefrodenses para os seus desejos pessoais e para se abastecer nos mercados de escravos com muitas meninas — como estavam nos sonhos de Dimytran.

O ilt estremeceu interiormente com nojo quando testemunhou as fantasias perversas do plofosense. Ainda bem que ele frustraria os delírios desse exemplar malsucedido da raça humana.

  1. Capítulo 2 

Encontro com Mordred

 

Em 16 de novembro de 1285 NCG, o cruzador CERES finalmente chegou nos arredores da pequena galáxia UGCA-092. Dimytran pensou que o sistema com uma velha estação abandonada dos tefrodenses, que era o ponto de encontro, ainda estava a cerca de 7.500 anos-luz de distância. Isso era apenas um pulo de gato.

Landry enviou novamente um sinal para a FREYJA e a NORTH CAROLINA. Mas o cruzador CERES de repente entrou no hiperespaço.

O que está acontecendo? — quis saber Landry.

Não tenho ideia. Dimytran não sabe. Ele está agitado.

Gucky testemunhou os eventos no centro de comando do cruzador pelos pensamentos de Dimytran. Foi como em um filme a partir da perspectiva do protagonista. A sintrônica da espaçonave tinha interrompido unilateralmente o voo e informado a tripulação sobre uma mensagem armazenada. Gucky se perguntou o que aquilo significava. Dimytran certamente estava bastante surpreso.

O holograma de um homem alto, num traje espacial ou armadura, apareceu na frente dele.

O Cavaleiro Prateado, pensou Dimytran imediatamente.

A espaçonave foi parada automaticamente pela sintrônica nas coordenadas atuais. Em breve chegará uma das nossas espaçonaves. Siga as instruções do comandante. Se vocês se opuserem a nós, nosso acordo será invalidado. Se vocês tentarem fugir, a sintrônica vai iniciar o comando de autodestruição.

Realmente, Dimytran já tinha considerado simplesmente escapar com o ouro. Presumivelmente, a confiança de Mordred em seus aliados não era muito grande. Gucky concluiu que este Cavaleiro Prateado tinha que ser alguém da Mordred.

Dimytran e sua equipe temiam o Cavaleiro Prateado, cujo nome verdadeiro não sabiam. Ele era conhecido por sua natureza impiedosa e por punir as falhas com a morte. Infelizmente, nenhum deles sabia mais sobre Mordred. Todos foram recrutados em diferentes mundos intermediários do submundo do crime. Mafiosos, guardiões galácticos e afins claramente eram contatos para Mordred. Gucky estava perplexo que, aparentemente de forma completamente despercebida, fora criada uma rede criminosa que percorria toda a Galáxia. Porém, aparentemente Mordred ainda fazia suas aparições fora dela.

Poucos minutos depois, apareceu uma espaçonave desconhecida. Esférica, com diâmetro de 500 metros. Presumivelmente da Via Láctea.

Gucky informava Landry continuamente sobre os novos eventos.

Provavelmente uma espaçonave dessa tal de Mordred — considerou o agente da SLT.

O comandante da espaçonave apareceu como um holograma na ponte do cruzador CERES. Um homem pequeno, arredondado, com barba cheia e com um adorno estranho na cabeça. Um capacete oval em que um monte de franjas e panos estavam pendurados.

Eu sou o coronel Kaljul Hussein del Gonzales, comandante da FROSER METSCHO. Sua espaçonave agora está sob o controle da Mordred. Pedimos-lhe educadamente, mas com firmeza, para seguir as nossas instruções sem hesitação — explicou o homem de quem Dimytran claramente sentia cada vez mais medo.

Claro, mas por que esses meios? Temos 150 bilhões de galax em ouro que recebemos pela LONDON.

Apenas precauções de segurança. Vocês estão sendo seguidos por duas espaçonaves. Parecem ser espaçonaves da LTL e da organização Camelot. Você sabia disso?

Dimytran se assustou. Mil perguntas zumbiram na sua cabeça. Gucky estava igualmente surpreso.

Ele buscou os pensamentos desse del Gonzales, mas, para espanto de Gucky, ele era mentalmente estabilizado. Assim, a tripulação teve de servir. Gucky não tinha muito tempo. Ele tinha que descobrir rapidamente como sabiam que a FREYJA e a NORTH CAROLINA os perseguiam.

Gucky filtrou as considerações importantes. O único pensamento de um era que seu vaso de plantas precisava desesperadamente de água, o outro estava com medo da próxima reunião pessoal com o comandante da estação da central de artilharia, o outro... Gucky descobriu! Era o sinal codificado. A tripulação da FROSER MATSCHI, ou seja lá como essa espaçonave se chamava, sabia que alguém tinha enviado um sinal do cruzador CERES.

Nós temos problemas — disse Gucky. — Eles sabem que têm passageiros clandestinos a bordo.

A conversa entre Dimytran e o coronel del Gonzales confirmou suas suspeitas. O coronel da Mordred instruiu Dimytran para ativar o transmissor para que um grupo de busca pudesse vir a bordo para vasculhar o cruzador.

Landry foi até o emissor.

O que você está fazendo?

Não temos escolha. Pegue suas coisas. Vou enviar um sinal novamente. Espero que não possam decifrá-lo. Nele enviarei nossos dados e as coordenadas onde a LONDON deveria estar localizada.

Mas eles poderão nos localizar — interrompeu Gucky.

Landry sorriu.

Isso é certo. Eles poderão me encontrar assim.

Então ficou claro para o rato-castor. Landry provavelmente agora queria bancar o herói. Mas seu argumento era plausível. Se Gucky permanecesse desconhecido, ele teria uma maior chance de libertar Landry, do que vice-versa. Gucky pegou suas coisas às pressas e se teleportou para outro esconderijo. O recipiente tinha que parecer como se tivesse sido habitado apenas por uma pessoa.

Landry enviou o sinal para a FREYJA e a NORTH CAROLINA. Gucky desejou boa sorte para o agente da SLT e se teleportou para fora do recipiente. Ele leu no pensamento de Dimytran que a espaçonave de Mordred tinha interceptado o sinal. Porém, felizmente o localizador não pudera decifrar o código. O grupo de busca já estava a bordo e seguiu diretamente para a área de armazenamento. Um pouco mais tarde, eles abriram o recipiente. Landry se rendeu sem resistência e foi levado para o centro de comando do cruzador.

 

***

 

Vocês provavelmente não vão me oferecer uma bebida? — perguntou Stewart Landry ao coronel barbudo da Mordred.

Landry foi pressionado grosseiramente em uma cadeira. O agente da SLT estava na sala ao lado do centro de comando. Em frente a ele estava sentando Kaljul Hussein del Gonzales.

Eu avalio isso como um não — disse Landry, suspirando. Com expectativa, o terrano olhou para coronel da Mordred. — Eu suspeito que seu nome seja derivado da constelação de Mashratan. A Mordred é uma unidade de elite de Kerkum?

Kaljul Hussein del Gonzales fez uma careta.

Você julga mal a sua situação. Eu conduzo o interrogatório, não você. Nome?

De quem?

Del Gonzales deu um sinal para o homem atrás de Landry. Em seguida, soltou o punho no peito de Landry. Tossindo, o agente da SLT se curvou brevemente sobre si.

Nome? — repetiu o oficial da Mordred, sem emoção.

Landry suspirou.

Peer van Reben. Eu sou um funcionário da Liga Hanseática Cósmica.

O mashratano olhou com expectativa e igualmente suspeito para Landry. Aparentemente, ele esperava uma explicação adicional.

Bem, eu soube do sequestro. Então eu pensei em pegar um pedaço da torta para mim e ter uma vida boa em Andrômeda, porque há mulheres...

Silêncio! — ordenou Kaljul Hussein del Gonzales. — Você pode guardar este absurdo para si mesmo, senhor Stewart Landry, agente da Segurança da Liga Terrana. Você é conhecido por nós. A FROSER METSCHO seguiu o cruzador CERES por dias. Seu sinal para as duas espaçonaves inimigas não nos escapou.

Landry sorriu maliciosamente e fez um gesto inocente.

Você me pegou.

Seu bom humor ainda passará. Quantos do seu grupo ainda estão a bordo?

Eu sempre trabalho sozinho — respondeu Landry gravemente. O coronel da Mordred pareceu acreditar nele. Kaljul Hussein del Gonzales se levantou e se afastou de Landry. Ele cruzou as mãos atrás das costas e olhou para fora da janela no espaço.

Nós agora temos um problema. Quando voarmos para o ponto de encontro acordado com a LONDON, as duas espaçonaves nos seguirão e encontrarão a LONDON.

Landry foi pego de surpresa.

Mas você não deveria se importar com isso. Você tem o resgate. Ou tem tanta simpatia assim por esta seita?

Pela primeira vez, o coronel da Mordred riu. Ele se virou e balançou a cabeça.

Não, certamente não.

Agora, Landry compreendeu. Ele realmente não tinha vontade de rir.

Então você não pretende libertar os passageiros e membros da tripulação da LONDON. Você quer destruir a LONDON!

 

***

 

Landry levou um tempo para entender as relações. A Mordred aparentemente usara os filhos da fonte de matéria para encobrir que eram eles quem realmente estavam por trás do sequestro da nave da Liga Hanseática. Provavelmente o couraçado de 500 metros de diâmetro da Mordred vinha agora para destruir a LONDON.

Por que todo esse esforço? Vocês não poderiam ter destruído a LONDON em qualquer lugar durante o voo de cruzeiro?

Kaljul Hussein del Gonzales negou com um gesto.

Esse não era o plano. A Mordred deve permanecer em segundo plano. Ninguém deve tomar conhecimento de nós. Bem, para que isso continue assim, você deve ser morto e suas duas espaçonaves destruídas.

Del Gonzales afagou sua barba e respirou fundo.

Bem, então lancem o sr. Landry da eclusa. Eu não preciso mais dele. Tenha uma boa morte, sr. Landry!

O guarda musculoso agarrou Landry e o puxou para cima.

Igualmente.

Eu ainda aproveitarei a minha longa vida — respondeu del Gonzales, divertido.

Oh, não se o Cavaleiro Prateado souber de sua incompetência.

Pare — rugiu o coronel da Mordred.

O guarda de Landry parou e empurrou Stewart de volta para a mesa. Kaljul Hussein del Gonzales puxou um radiador térmico e o apontou para o agente da SLT.

Sem truques. O que você quer dizer?

No último sinal, eu transmiti as coordenadas da LONDON. Eu monitorei Dimytran. Presumivelmente, as duas espaçonaves já estão lá.

O oficial da Mordred fitou o agente da SLT, aturdido. Ele provavelmente se perguntava se Landry estava blefando. Mas, desta vez, ele dissera mesmo a verdade. Na última mensagem ele realmente tinha enviado as coordenadas do possível paradeiro da LONDON. O que estava acontecendo agora com este aspirante a coronel? Para saber que tinha medo das consequências, bastava olhar para ele. Ele tinha perdido sua arrogância. O medo do Cavaleiro Prateado misterioso era grande. Os 150 bilhões de galax do resgate pareciam irrelevantes para o comandante da FROSER METSCHO.

Por fim, Kaljul Hussein del Gonzales abaixou a arma e ativou seu intercomunicador.

Comandante para FROSER METSCHO. Preparem tudo para o voo pelo hiperespaço até a LONDON. Eu vou para bordo. — Ele mandou o musculoso brutamontes de pele verde ficar a bordo do cruzador CERES.

De você eu cuido mais tarde, Landry!

Com essas palavras, o coronel desapareceu da sala. Landry permaneceu na sala e viu, poucos minutos mais tarde, o céu estrelado dar lugar à cintilação do hiperespaço. Eles iam cada vez mais perto da LONDON.

 

  1. Capítulo 3 

Onde está LONDON?

 

17 de novembro de 1285 NCG

Stewart Landry estava feliz por poder andar pela cabine. Após ter ficado muitos dias no recipiente, a sala ao lado da central de comando do cruzador CERES não agia como uma prisão, mesmo que na porta estivesse um terrano ambientalmente adaptado.

Landry não tinha descoberto muito sobre a Mordred. Ela definitivamente era a mentora do sequestro e planejava a destruição da LONDON. Oficialmente, provavelmente a culpa deveria ser creditada aos filhos da fonte de matéria. Em contraste com uma organização terrorista que queria passar uma “mensagem”, a Mordred queria permanecer oculta. Era precisamente esta atitude que a fazia perigosa. Aparentemente, todo o grupo era estruturado militarmente, já que Kaljul Hussein del Gonzales intitulava a si mesmo de coronel. Toda a organização parecia ser extremamente eficiente, o que era enfatizado pelo fato de que também possuíam um cruzador de combate.

Contudo, os motivos da Mordred permaneciam completamente no escuro. A conversa que Landry tivera com esse coronel Kaljul Hussein del Gonzales não tinha trazido nenhum grande conhecimento.

O cruzador CERES saiu do hiperespaço. Landry viu um planeta próximo. A LONDON estaria lá?

De qualquer forma, isso não poderia ser reconhecido a olho nu. Talvez ela também estivesse no lado oposto da estrela.

A porta deslizou para o lado. O coronel Kaljul Hussein del Gonzales estava parado na porta com um radiador na mão. Sua expressão era séria. Landry não pôde deixar de sorrir.

Onde está a LONDON? — resmungou o comandante da Mordred.

Landry deu de ombros inocentemente.

Como eu poderia saber?

Ele dissera mesmo a verdade. Era improvável que a FREYJA e a NORTH CAROLINA pudessem, tão rapidamente, ter colocado a LONDON em segurança, mesmo que ele lhes tivesse instruído a isto em vez de cuidar da espaçonave da Mordred. E onde estavam as duas espaçonaves atualmente?

Se não sabe nada, você é inútil — disse o coronel apontando para Landry. Neste momento o braço de Gonzales foi bruscamente para cima. Um tiro foi disparado. Então ele foi jogado para trás, em cima de seus dois homens. O gigante musculoso correu para a sala, mas não foi muito longe. Ele voou para o teto. Uma vez após outra, bateu a cabeça contra o revestimento de aço, então ele caiu no chão inconsciente.

Feixes de energia atravessaram a central de comando. De repente Gucky estava ao lado de Landry, tomou-lhe o braço e foram para um pavimento diferente.

Um pouco demais — gemeu Gucky. — Esse estresse todo não é bom para o meu pelo macio e sedoso.

Landry sentiu com três dedos que Gucky estava correto no que dizia respeito ao seu pelo. Sim, o rato-castor precisava cuidar do seu pelo urgentemente.

O que fazemos agora? — quis saber Landry.

É certo que a LONDON não está neste sistema estelar. Eu não recebo nenhum pensamento de vida inteligente. Dimytran está bastante chocado e este janota da Mordred está em parafuso e pensa apenas em enviar uma equipe de busca.

O que presumivelmente não será um perigo para nós, contando com suas habilidades telepáticas talentosas.

Gucky sorriu amplamente. Eles começam a se mover, a fim de buscar um melhor esconderijo. Gucky de repente parou.

Há algo acontecendo lá fora?

O ilt acenou.

A NORTH CAROLINA e a FREYJA acabaram de chegar ao sistema. O coronel da Mordred está irritado e... apenas dispara na tripulação do cruzador CERES.

Gucky colocou um radiador nas mãos de Landry. Então ele o agarrou e se teleportaram para a central de comando. Mas já era tarde demais. Os membros da tripulação, inclusive Dimytran, estavam mortos. Os soldados da Mordred tinham ido pelo transmissor para a FROSER METSCHO.

Landry estava tentando colocar o cruzador CERES sob controle.

Ali há algo piscando em vermelho — disse Gucky e apontou para a tela.

Oh, isso é apenas a indicação de que a FROSER METSCHO em breve disparará suas armas sobre nós.

Landry enviou uma mensagem de rádio para a NORTH CAROLINA e FREYJA. Gucky reagiu sem precisar de nenhuma comunicação. Ele se teleportou com Landry para a FREYJA. Em seguida, o agente da SLT olhava para o rosto do arcônida Atlan.

Vocês podem me dizer para onde foi a LONDON?

Gucky e Landry olharam interrogativamente. Então o comandante Xavier Jeamour relatou a destruição do cruzador CERES.

Gucky e Landry explicaram a situação para o perplexo Atlan. Landry contou sobre a Mordred, que aparentemente estava por trás do sequestro. Jeamour fez uma ligação com a NORTH CAROLINA.

Nós pegaremos esta espaçonave antes que ela possa fugir — decidiu Atlan.

Jeamour e Henry Portland coordenaram um ataque à FROSER METSCHO. Alguns momentos depois, ambas as espaçonaves abriram fogo contra a espaçonave da Mordred. Elas se concentraram primeiramente no campo defensivo. Assim que foram criadas lacunas nessa estrutura, o propulsor foi danificado, para impedir a entrada no hiperespaço.

Atlan entrou em contato com a FROSER METSCHO durante o bombardeio. Demorou alguns segundos, então, finalmente, o contato visual foi feito. O coronel del Gonzales parecia bem, disciplinado.

Eu sou Atlan. Renda-se imediatamente.

Não havia tempo para a diplomacia. Todos sabiam que estavam em lados opostos. Atlan não precisava de diálogo, desde que, obviamente, acreditasse no testemunho de Stewart Landry e Gucky. Landry só queria saber onde estava a LONDON? Talvez o sequestro tivesse falhado. Mas por que não receberam nenhum contato da LONDON em Andrômeda? A alternativa era que a LONDON talvez tivesse sido destruída.

Traidor sujo da raça humana — respondeu o coronel del Gonzales.

Atlan não disse nada.

O coronel del Gonzales ergueu o radiador, segurou-o perto de sua têmpora e puxou o gatilho. Então a imagem se apagou.

O inimigo explodiu a espaçonave — relatou Xavier Jeamour, espantado.

A tripulação da espaçonave da Mordred preferira cometer suicídio. A FROSER METSCHO1 se transformara numa bola de fogo; os restos da nuvem de plasma lentamente se espalhavam pelo espaço. Landry se surpreendeu com esse fanatismo obsessivo. Estes não eram criminosos comuns, mas uma organização ideológica. Del Gonzales tinha chamado Atlan de traidor da Humanidade. Aparentemente, os agressores desconhecidos que provavelmente estavam por trás da Mordred discordavam das políticas dos imortais, que visavam o equilíbrio.

Atlan suspirou e chamou Jeamour, Gucky e Landry para a sala de conferência ao lado da central de comando. Via intercomunicador, também se juntou o comandante da LTL, Henry Portland.

De acordo com o plano dos raptores, a LONDON deveria esperar neste sistema. Mas ela não está aqui. Isso significa que algo deu errado, de Andrômeda até estas coordenadas, durante o sequestro pelos filhos da fonte — recapitulou o arcônida.

Assim, ficamos com uma área ampla de pesquisa. Devemos enviar um cruzador de volta à Via Láctea para pedir reforço — considerou o terrano Portland.

Atlan concordou. Com duas espaçonaves, eles poderiam procurar pela LONDON para sempre.

Atlan e Gucky ficaram angustiados. Eles certamente pensavam em Perry Rhodan. Ninguém queria admitir a possibilidade de que a LONDON tivesse sido destruída. Landry também não. Talvez eles tiveram que fazer um pouso de emergência em algum lugar ou o hiper-rádio havia falhado. Seja qual fosse a razão, tinha começado a busca no Grupo Local, como por uma agulha no palheiro.

 

  1. Capítulo 4 

Luta contra os mercenários

 

Feixes de energia mortais passaram pelo carro e bateram num poste de iluminação, que se transformou numa nuvem brilhante.

Rhodan tentava dirigir o mais rápido possível. Ele corria a quase 130 quilômetros por hora pelas principais ruas de Neustadt, mas Scardohn, Itzakk e Glyudor se aproximavam com seu veículo.

Então ele reduziu a velocidade do carro e entrou numa rua que conduzia à área do porto. O veículo parou diante de um estaleiro em ruínas.

Aurec e eu os distrairemos — disse ele enquanto saía junto com o saggittonense do carro.

Shel continuou com o carro. Rhodan desativou o absorvedor de estranheza.

Os três perseguidores ficaram imediatamente cientes dos dois. Eles também se voltaram para a rua lateral e saíram do carro, enquanto o terrano e o saggittonense subiam por uma escada de incêndio para o telhado da torre alta de uma fábrica perto das docas.

Scardohn parou brevemente e apontou o sensor em todas as direções. A máquina brilhou quando a apontou na direção da fábrica.

Lá estão eles! — gritou ele para os outros. Eles também subiram a escada e atiraram.

Aurec e Rhodan se dividiram, de modo a confundir os mercenários. O camelotiano se escondeu atrás de um poço de ventilação. Lá, ele recebeu uma mensagem da LONDON por intercomunicador. Spechdt informava que já estavam no sistema novamente. Rhodan mandou que primeiro pegassem os outros, depois a LONDON deveria salvar ele e Aurec.

Mal Rhodan terminara de falar, Glyudor2 se lançou sobre ele. O deformador de moléculas acertou Rhodan várias vezes no rosto. Perry se defendeu com um golpe no estômago.

Ambos lutaram até a borda do telhado e caíram pela escada. Após cerca de cinco metros, conseguiram se agarrar aos degraus. Rhodan tentou subir novamente, mas o Gys-Voolbeerah o pegou pela perna. Ele puxou uma faca energética e esfaqueou Rhodan na perna. O camelotiano gritou baixinho, então atirou com o radiador térmico em Glyudor, mas estes se esquivou com agilidade. Tudo que Rhodan acertou foi a escada. A parte inferior foi separada e caiu para o abismo. Glyudor se agarrou à perna de Rhodan, de modo a não cair para as profundezas. Ele empurrou a faca energética de volta contra as pernas de Rhodan, mas o terrano o acertou com um golpe com o qual o deformador de moléculas perdeu o equilíbrio, escorregou e caiu gritando estridentemente para as profundezas.

Com dificuldade, Perry subiu novamente para o telhado, apertou os dentes e arrancou a faca da ferida.

Aurec lutava com Scardohn. O saggittonense tinha dado um golpe certeiro com o punho direito no hauri, derrubando-o. Então Aurec correu até o terrano e o ajudou a se levantar.

O pteru Itzakk e Scardohn se aproximaram de Rhodan e Aurec.

Itzakk atingiu Rhodan com vários golpes no estômago. O camelotiano estava lutando uma batalha perdida contra o guerreiro Upanishad3. Agora também Aurec tinha grandes problemas com Scardohn. Ambos estavam perto da borda do telhado.

Eu vou cortá-lo, como fiz com sua mãe — sussurrou o ser de aparência frágil, mas que era forte.

O saggittonense atravessou a ponte que era uma ligação com o prédio vizinho. Scardohn caminhou lentamente atrás dele, então se jogou em Aurec. Ambos lutaram. Aurec tentou atirar, mas caiu inofensivamente no apoio da ponte, que começou a ceder. Os dois se endireitaram e lutaram sobre o parapeito da ponte.

Enquanto isso, Itzakk fazia Rhodan sangrar. O camelotiano estava praticamente indefeso, porém o pteru ainda não o matara. Em vez disso, ele observava o confronto entre Aurec e Scardohn.

Aurec rastejou para o outro lado da ponte, Scardohn saltou para cima, mas os pilares romperam. Aurec ainda conseguiu ir para o telhado de outra construção, mas a ponte caiu no abismo, levando junto o hauri para a morte. — Não! — rosnou Itzakk e atirou com o radiador no saggittonense. Então ele pegou um dos dois detonadores térmicos e o jogou no telhado. Aurec mal conseguia andar na cobertura.

Rhodan recuperou a consciência e ativou o segundo detonador na correia de Itzakk, então ele deu um pontapé no pteru e se atirou na escada.

Itzakk girou, confuso, e notou o detonador térmico ativado, mas já era tarde demais. Um segundo depois o guerreiro eterno explodiu.

Reinou o silêncio por um tempo. Rhodan subiu agora pela terceira vez a escada. Ofegante, primeiro ele se deitou no chão e bufou.

Aurec acenou para ele do outro edifício.

A polícia alemã tinha chegado nesse meio tempo e queria ir para o telhado, mas um rugido alto no céu os fez estremecer. O chão começou a tremer. Algo enorme se movia lentamente em direção a Neustadt.

Rhodan deu um suspiro de alívio, porque só podia ser a LONDON que estava sobre eles. Os policiais pararam espantados e olharam para o céu. O imortal olhou para cima e seu rosto se petrificou. Não era a LONDON que estava sobre Neustadt, mas a enorme nave asteroide. A espaçonave semelhante a um asteroide alcançava desde a cidade Scharbeutz até Neustadt.

Era a espaçonave de Rodrom! Mas ela não estava sozinha. Ao redor da nave gigantesca, inúmeras unidades discoides com 100 metros se distribuíram por toda a baía e começaram a atirar em qualquer coisa.

Rhodan se dirigiu às escadas e correu até a entrada do edifício. Aurec já estava esperando por ele lá.

A noite se tornara dia, porque por todo o litoral se viam inúmeras explosões que se uniam cada vez mais numa tempestade de fogo. O apocalipse para a Humanidade do século 20 tinha chegado. Junto com Aurec, ele tentou se proteger em algum lugar.

 

  1. Capítulo 5 

O dia do juízo final

 

Rodrom olhou através das grandes janelas panorâmicas da central de comando da WORDON para o inferno que expandia continuamente sobre a Baía de Luebeck. As naves dos kjolles produziam um grito estridente que, para as pessoas que fugiam em pânico, era como as trombetas da desgraça. Sistematicamente, destruíam os quarteirões abaixo, um por um, deixando um mar de incandescência e escombros.

As poucas pessoas que escapavam do inferno gritavam desesperadas e procuravam abrigo em túneis, poços e até mesmo esgotos, em busca de proteção diante dos atacantes impiedosos. Finalmente os kjolles se detiveram. Eles aparentemente esperaram por um comando final de seu mestre.

Ele estava de pé diretamente à frente da grande tela panorâmica que tinha dividido em várias telas menores e, contente, observava o massacre. Na parte superior esquerda da tela apareceu a imagem de Masor. O pequeno kjolle literalmente babava com sede de sangue.

Mestre, quais são as suas novas instruções? O que devemos fazer com essas aberrações? — perguntou ele com voz alterada.

Rodrom se focou primeiro apenas numa das cenas de batalha. Ela mostrava como uma mãe com dois filhos em seus braços corria pela rua. Ao seu lado, bateu um feixe de energia. Depois veio outro tiro num arranha-céu que caiu sobre as três pessoas.

Ele sentiu uma grande satisfação com a visão. Agora, ele se virou para Masor.

Destrua!

 

***

 

Rhodan e Aurec agora tinham encontrado com os outros. Eles se esconderam atrás de um grande celeiro. Neustadt estava em chamas. As pessoas corriam gritando pelas ruas, na esperança de encontrar abrigo em algum lugar.

Rhodan e seus companheiros abriram caminho até a praia. As instalações portuárias estavam em chamas. Rhodan viu a praia de areia ao longo da costa como o caminho mais seguro para o local de desembarque acordado.

Os kjolles se ocupavam agora também com cidades costeiras menores, cobrindo-as com seu fogo devastador. Eles aparentemente se contentavam apenas com radiadores térmicos, o que explicava a ardência e os incêndios em todos os lugares. Rhodan não queria imaginar quais as consequências da ação de armas energéticas de alta potência. Quase parecia que o sadismo de Rodrom ainda lhes daria uma chance.

A própria WORDON permanecia imóvel sobre a baía de Luebeck. Uma visão misteriosa e ao mesmo tempo assustadora. Ameaçadora, ela se deitava acima da água. A nave gigantesca iniciou os armamentos energéticos de alta potência, que em comparação às naves disco tinha efeitos devastadores. Mas, ainda assim, parecia como se apenas jogassem com seus inimigos.

Mais uma vez, um grosso raio de energia vindo de uma das torres grotescas, distribuídas sem padrão discernível sobre a superfície da espaçonave de Rodrom, atingiu algum lugar de Scharbeutz, talvez a dez quilômetros de distância deles. A noite tornou-se dia. Um cogumelo de fogo e fumaça subiu para o céu noturno.

Houve uma onda de fogo que correu pela água e terra na direção de Neustadt. Alguns dos companheiros de Rhodan já tinham se despedido de suas vidas.

Rosan se agarrou a Wyll e tremia o corpo inteiro.

Shel gritou histericamente, as lágrimas escorriam pelo rosto. Ela amaldiçoou por ter ido nessa viagem. Ela batia os punhos no peito de Aurec e o culpava. O saggittonense reagiu calma e serenamente. Ele tomou-a nos braços e a apertou vigorosamente.

Sam, no entanto, manteve a calma e olhou para o espetáculo horrível que Rodrom e seu povo auxiliar conduziam.

O Inferno de Dante — sussurrou ele baixinho.

Ullryk Wakkner contra isso se agachou no solo arenoso. O suor frio percorreu sua testa e se moldou em gotas esféricas.

Perry Rhodan olhou para o inferno iminente. Não tinha mais sentido fugir.

A barreira de fogo prosseguia por toda a água que simplesmente se evaporava parcialmente. Talvez ainda uns quatro ou cinco quilômetros.

De repente, um segundo monstro gigantesco apareceu sobre a baía, cercado por uma massa de ar avermelhada e brilhante. A partir da forma e dimensões, Rhodan estava certo de que tinha de ser a LONDON, que tinha mergulhado na atmosfera da Terra com o campo paratron ativado. O fantasma de fogo afundou mais e um space-jet saiu da mesma. Ele se aproximou da superfície até poucos metros.

Rhodan sacudiu os outros, a fim de tirá-los de sua letargia. O jet se dirigiu para a costa e pousou a poucos metros de distância. Eles correram para a pequena espaçonave e foram transportados por um raio trator até uma eclusa. Assim que estavam a bordo, a nave auxiliar partiu acelerando vertiginosamente. Um pouco mais tarde, o jet foi introduzido na LONDON.

Porém, enquanto isso, as primeiras naves dos kjolles já tomavam curso para a nave terrana. Sete naves tinham entrado em posição de ataque. Elas se separaram em dois grupos de três e quatro naves e atacaram a espaçonave. Mas o campo paratron ainda segurava as rajadas de energia, porém isso mudaria muito rapidamente quando a gigantesca nave asteroide interviesse na luta. Eles tinham que desaparecer tão rapidamente quanto possível, caso contrário, não teriam chance.

Wyll Nordment correu até a central de comando e assumiu imediatamente a posição do piloto. Ele dirigiu a LONDON manualmente para fora da atmosfera e deixou a órbita da Terra com a máxima aceleração. Agora também Sato Ambush estava novamente totalmente focado na situação atual.

Aqui na vizinhança deve ter uma espécie de portal, mais especificamente uma dobra espaço-tempo através da qual as naves dos kjolles vieram. Devemos ir através dele! Com toda a probabilidade, acabaremos novamente em algum lugar de Saggittor.

Com toda a probabilidade? — perguntou Nordment.

Ele não lidava muito bem com o pensamento de sair em outro lugar.

Então ele viu Rosan. Porém, em última análise, o mais importante era estar com ela. Não importa em que universo estivesse, a principal coisa era ela estar com ele.

Está tudo bem. Nós provavelmente não temos alternativa — concordou ele finalmente.

Também Rhodan deu sua aprovação com um gesto.

Qualquer lugar é melhor do que este.

Ele instruiu Spechdt para vasculhar o setor em busca de anomalias espaciais incomuns. A sintrônica ainda não funcionava perfeitamente. Só se podia alcançar um determinado raio, mas a análise de dados de medição apresentou valores incomuns. Ele fez com que os dados fossem apresentados em um holograma 3D.

Leve a LONDON para lá — suplicou Ambush.

Perry Rhodan não demorou muito para reagir. Ele conhecia Sato Ambush há tempo suficiente e confiava em sua intuição. Ele deu a ordem para que fosse definido o curso adequando para a anomalia, a toda a velocidade.

Ambush explicou que precisava apenas voar por essa ligação para voltar para Saggittor. Rhodan esperava que o pararrealista não estivesse enganado.

Mas a LONDON foi bombardeada por algumas naves dos kjolles e o dolan. O poder de fogo dos perseguidores não pôde sobrecarregar o campo defensivo, mas a WORDON chegava perigosamente perto.

Ela vai chegar à distância de tiro antes de atingirmos a dobra espaço-tempo — disse Nordment, preocupado.

Rhodan pensou no que poderiam fazer.

Sato se virou para ele. — Você falou sobre uma bomba que esse pai Dannos tinha escondido aqui?

Sim, e? — quis saber Rhodan.

Os saggittonenses levaram a bomba quando vieram a bordo da LONDON e a desarmaram? — o pequeno asiático prosseguiu.

Rhodan não sabia exatamente. Ele tinha que pensar um pouco.

Não, ela está armazenada na área de segurança — disse ele finalmente.

Bem, me leve até ela — pediu Ambush.

Ele e Rhodan se apressaram até a área de segurança. A bomba armazenada era bastante notável. Ela tinha uma enorme força explosiva e teria rasgado a LONDON ao meio se fosse detonada.

Sato Ambush pegou a ogiva de cerca de dois metros. Ele engoliu brevemente, então olhou para Perry Rhodan.

Vou levar a bomba.

Para onde?

Para o mundo de Embuscade. De lá, eu posso ir a qualquer lugar neste universo paralelo. O objetivo será o dolan. Porém, você deve enfraquecer seu campo defensivo para que eu possa passar. Eu deixarei a bomba lá.

Eu não entendi completamente. O dolan não é tão perigoso — considerou Rhodan —, a WORDON representa o maior problema.

Nela eu não posso entrar devido à maior dimensão do campo defensivo. Mas no dolan eu deveria ser capaz de pousar.

Agora Rhodan entendera. Ele não estava particularmente confortável com essa ação, mas era uma chance real de lutar.

Cuide-se, meu amigo — disse ele e abraçou o japonês.

Vamos nos encontrar de novo, Perry Rhodan! — prometeu Ambush e se desmaterializou junto com a bomba.

Rhodan suspirou, então correu de volta para a central de comando.

 

  1. Capítulo 6 

Um plano suicida

 

Rodrom estava impaciente na ponte e ordenou que a WORDON acelerasse ainda mais. Mas a capacidade de aceleração da nave gigantesca era limitada.

Quanto tempo ainda até estarmos dentro do campo de tiro? — perguntou ele em tom sombrio.

Nós os teremos no campo de tiro de 20 milhões de quilômetros antes de chegarem à dobra espaço-tempo — disse o oficial de armas.

O Vermelho assentiu e observou a LONDON ser bombardeada pelas naves dos kjolles. O dolan em que Ark Thorn e Melsos Berool estavam cortou o curso da LONDON e tentou tirá-la deste. O fogo da LONDON se centrou no dolan. Então seu escudo múltiplo se tornou instável e começou a piscar, depois desmoronou por um curto tempo. O campo defensivo se sobrecarregou, houve uma queda de energia, isso danificou a fuselagem da espaçonave orgânica.

Thorn acelerou o dolan para sair do alcance da LONDON.

 

***

 

Sato Ambush tinha usado este tempo, como planejado, para embarcar na nave. Ele desembarcara na central dos executores, onde estavam dois cérebros escravizados resgatados. Ele concentrou seu Ki e criou uma pararrealidade na qual o dolan foi severamente danificado.

Executor um para Ark Thorn. Temos um dano grave e seria melhor se retornássemos para a nave-mãe — anunciou este.

Thorn gritou com raiva, então ele virou o dolan e informou a WORDON sobre seu retorno.

Melsos Berool, no entanto, não gostou da coisa.

Algo não está certo. Dois dos executores falharam, mesmo sem termos nenhum impacto lá, eu vou dar uma olhada lá em baixo — informou o lare ao policial do tempo e se armou com um radiador.

Na central, o japonês estava prestes a ativar a bomba. Assim, ele não ouviu o lare, que atirou imediatamente no pararrealista e o atingiu no ombro direito. Ambush se agachou com um grito.

Seu infeliz, seja lá quem for, você está acabado — disse Berool, ameaçador. — Primeiro, eu te mandarei para a vida após a morte, então será Perry Rhodan!

Ambush mal conseguia se mover. Ele teve a oportunidade de saltar de volta para o mundo de Embuscade, mas a bomba tinha que ser detonada na WORDON. E a pararrealidade tinha de ser retida por seu Ki, caso contrário seu plano falharia. Ele tentou expandir a pararrealidade para o lare. Por um momento, teve sucesso nisso. Melsos Berool subitamente se encontrou no vácuo. Uma descompressão explosiva atingiu o lare, uma vez que, naturalmente, ele não usava traje espacial a bordo do dolan. Por causa da lesão, ele não pôde manter a pararrealidade do lare. Mas os poucos segundos em que o adversário foi exposto ao espaço sideral tinham sido suficientes para desligá-lo. As células exteriores da pele foram estouradas através da evaporação da água e sua circulação estava completamente destruída. Com um gemido agonizante, ele rolou pelo chão e se prostrou em inconsciência profunda.

 

***

 

Alvo será alcançado em dois minutos! — anunciou o oficial de controle de artilharia da WORDON.

Potência máxima às armas! Desta vez eu vou atirar você para a próxima fonte de matéria, Perry Rhodan!

Em um monitor, Rodrom observou quando o dolan fez a aproximação de pouso. Ele não tinha nada além de desprezo para os lutadores derrotados.

 

***

 

Aqui é Ark Thorn. Código azul de identificação. Danos graves a bordo, peço recolhimento — identificou-se o policial do tempo para a central de comando da WORDON.

Então ele chamou Berool pela comunicação interna, mas não obteve resposta.

Ele estava certo, algo está errado! — ele murmurou para si mesmo e ativou o piloto automático. Então deixou a central de comando para procurar o lare.

Este estava impotente, deitado diante de Ambush. O pararrealista pegou o radiador do lare e ficou tentado por um momento a se livrar definitivamente deste problema, mas resistiu à tentação. Com dificuldade, ele se levantou e cambaleou até a bomba para finalmente colocar seu plano em ação.

Neste momento, o ex-policial do tempo apareceu e correu rugindo na direção dele. Ele tinha apenas uma possibilidade: pegou o radiador e mirou a bomba.

Não! — ele ainda ouviu antes de, por um momento, ver uma luz insuportável e, em seguida, escuridão.

 

***

 

Pronto para disparar! — informou o oficial de controle de artilharia.

Fogo! — ordenou Rodrom ruidosamente.

Mas então houve uma agitação violenta. Por um momento, todo o equipamento falhou e a luz piscou. A WORDON perdeu força e foi ficando mais lenta.

O que foi isso? — perguntou o Vermelho.

Uma explosão no hangar, que avançou até os reatores — disse um técnico.

Rodrom percebeu que Rhodan tinha algo a ver com isso. A LONDON atingiu a dobra espaço-tempo e desapareceu em seu interior.

Ninguém se atreveu a abordar Rodrom. Todo mundo estava com medo de perder a vida em uma explosão de Rodrom. Sem dizer nada, a encarnação de MODROR deixou a central de comando.

Zukthh ordenou que reparassem a WORDON imediatamente e depois voassem também através da dobra espaço-tempo.

 

***

 

Eles conseguiram! A LONDON havia escapado de seus perseguidores. Eles fugiram pela dobra espaço-tempo graças à ação audaz de Sato Ambush, sem terem sido destruídos antes pela WORDON.

Uma espaçonave dos kjolles que guardava a dobra espaço-tempo atacou a LONDON, mas o canhão da nave da Liga Hanseática pôde disparar na nave-disco e interromper sua manobra.

Rhodan capturou a tripulação dela, que consistia de três kjolles. Porém, dois deles sucumbiram aos seus ferimentos. O terceiro, no entanto, não tinha ferimentos e, assim, foi uma valiosa presa.

Mas ainda não era tempo para comemoração. As naves dos kjolles e a WORDON poderiam segui-los através da dobra espaço-tempo muito rapidamente. Portanto Rhodan ordenou para irem imediatamente para o voo superluminal e voarem para Saggitton.

Ele e Aurec agora pensavam num plano para derrubar Dolphus do trono. Eles não tinham nenhum objetivo concreto, mas Aurec esperava que pudesse trazer as pessoas para seu lado se tivesse a chance de falar com elas.

A LONDON entrou no hiperespaço e deixou o sistema com a dobra espaço-tempo.

Rhodan tinha que pensar em Sato Ambush. Seu fiel amigo dos velhos tempos havia arriscado sua vida e provavelmente a perdera. Perry sentia um vazio em si mesmo. Era a segunda vez que ele tinha de dizer adeus a Sato Ambush.

 

  1. Capítulo 7 

Na confusão das pararrealidades

 

Sato Ambush estava aliviado que seu plano aparentemente fora bem-sucedido. Embora ele próprio, obviamente, tivesse pagado um preço alto por isso. Mas ele ainda não poderia se preocupar com isso, pois tinha de continuar a existir. Ele se salvara da explosão a bordo da WORDON indo para uma pararrealidade. Portanto, ele conseguira tempo para escapar da realidade da bomba explodindo.

Ele fez seu olhar vaguear e observou a si mesmo; ele não podia descrever suas impressões, pois literalmente não havia nada. Seu corpo material, ou sua constante FSRS, que podia ser coloquialmente equiparada com a alma, estava encalhado em algum lugar entre as dimensões supremas em que o Multiverso estava embutido? Cuidadosamente, ele pegou com a mão direita o braço esquerdo e apertou.

Dor!

Ele sentiu o aperto espasmódico de sua mão no antebraço esquerdo. Ele cuidadosamente afrouxou o aperto e a dor sumiu.

Poderia uma consciência imaterial, uma constante hexadimensional de energia, sentir dor física? Até onde ele sabia, provavelmente não. Mas ele claramente sentiu o aperto doloroso de sua mão ao redor do antebraço. Mais uma vez, ele repetiu o jogo; o resultado foi o mesmo. Isso só podia significar que ele ainda era um ser material e tinha um corpo. Mas como ele podia existir no nada? Ele cuidadosamente fez uma técnica de respiração de Aikido, para fortalecer seu Ki pela respiração abdominal. Ele inalou fundo e sentiu o waiqi, a respiração exterior, encher seus pulmões. Então, ele não só tinha um corpo, como conseguia respirar no vazio. Ele executou a técnica de meditação e olhou novamente ao redor. O nada em torno dele tinha mudado e o seu arredor tornou-se representativo. Ele estava em uma espécie de subterrâneo rochoso, que começava logo após ele e se perdia no nada muito à frente. Quanto mais ele tentava penetrar o vazio diante dele, mais detalhes eram visíveis. Muito à frente, apenas reconhecível, um enorme maciço montanhoso começou a tomar contornos que o atraíam como um ímã. Sem pensar, ele começou a caminhar em direção à cordilheira.

O mais tardar nesse momento ele percebeu que estava em um ambiente completamente surrealista. Mais e mais detalhes ficavam visíveis na borda de sua visão e desapareciam atrás dele no nada. Com cada passo, ele parecia cobrir centenas de metros. O cenário na frente dele ficava mais detalhado quanto mais perto ele chegava do maciço montanhoso. Toda a paisagem lembrava as imagens históricas de sua terra natal, mas elas estavam muito longe do presente. Incontáveis guerras e conquistas tinham destruído todos os vestígios do passado no Japão. O que sobrara foram quadros e pinturas históricas, a beleza tradicional da cultura antiga do Japão. Mas, a cada passo, sua percepção, voltada para a enorme montanha, parecia finalmente poder reconhecer. Tinha que ser a montanha sagrada do Japão, o Monte Fuji. Na presença da montanha sagrada que já não existia há muito tempo; o vulcão literalmente explodira durante o ataque de um dolan dos condicionados em segundo grau e devido a um ultracouraçado da classe Galáxia que literalmente despencara do ar. Nessa ocasião, uma grande parte da ilha principal de Honshu fora afundada no oceano.

Com seu próximo passo, ele chegou ao pé da montanha. Seus olhos caíram sobre um cenário pitoresco que parecia um idílio de tempos idos. Hesitante, ele se aproximou. Em frente a ele, um portal aberto convidava a entrar em um jardim de pedras no estilo Zen. Caminhou lentamente através do portal e seguiu o caminho sinuoso, que consistia de pedras pequenas cuidadosamente alisadas com o ancinho. Perdido em si mesmo, ele observou que o fluxo de seu Ki era reforçado. Sua neiqi, a respiração interior, que leva o homem a estar em harmonia com as forças do Universo, reforçou suas forças internas até um ponto que ele nunca tinha experimentado antes. Por fim, o caminho terminou em um edifício que ele identificou como uma casa de chá. Reverentemente, ele se aproximou e tocou o material, bambu, bambu realmente crescido e não manequins baratos feitos com alguns materiais plásticos, como os usados atualmente nos centros recreativos turísticos. Mais uma vez ele acariciou delicadamente o material e teve a sensação de madeira natural, antes de se inclinar pelo passo de entrada que se elevava a cerca de um metro.

Seu olhar foi capturado por um braseiro sobre uma mesa baixa feita de bambu. Sobre o braseiro estava uma chaleira; havia duas xícaras e vários utensílios de chá sobre a mesa. De repente, ouviu as palavras “Escolha o seu caminho!” em sua mente.

Indeciso, ele olhou em volta. O que foi isso?

De repente, ele olhou para a parede oposta, lá estavam três itens que anteriormente não existiam. Interessado, ele se aproximou. Eram armas, um radiador, mesmo pelos padrões atuais de aparência futurista, uma katana4 magistralmente trabalhada e uma vara de madeira simples.

Quase automaticamente ele quis pegar o radiador; o que ele poderia fazer nestes dias com uma espada ou até mesmo uma vara de madeira? Mas então ele hesitou. O radiador para ele parecia ser uma arma de destruição em massa, enquanto a espada era a arma de um guerreiro. Mas ele não era nem um assassino em massa, nem um guerreiro. Então realmente lhe restava apenas o bastão de madeira. De alguma forma, ele se sentia rasgado. Um bastão de madeira simples, o que ele poderia fazer com isto? No entanto, ele tomou a vara na mão. Quando ele tocou a madeira gasta, foi uma sensação estranha, como se ele finalmente tivesse encontrado uma parte de si mesmo, que sempre faltara.

Soaram fortes aplausos e uma voz o saudou: — Bem-vindo ao lar, Sato-san5!

Assustado, ele se virou. De repente, em frente a ele se sentava uma mulher vestida como uma gueixa. Convidativa, ela apontou para a almofada do assento livre e continuou:

Por favor, sente-se e desfrute do chá.

Depois de um momento de hesitação, ele se estabeleceu em posição de lótus. Indeciso, ele segurava a vara na frente dele, o que o perturbou de alguma forma.

Posso guardar a sua vara?

Relutantemente, ele lhe entregou a vara, que recebeu com sobrancelhas zombeteiramente levantadas. Ao lado da mesa de bambu havia um suporte de metal que não estava lá antes. Ele parecia ter sido criado exatamente para a vara. Ele olhou detalhadamente para o rosto da desconhecida, era o rosto de uma jovem mulher, mas algo não se encaixava. Os olhos, os olhos simplesmente não se encaixavam com o resto da aparência, eles pareciam velhos, muito velhos!

Onde eu realmente fui pousar, e nós...

Com um gesto, ela o levou ao silêncio.

Não agora, vamos realizar primeiro a cerimônia do chá!

Uma fragrância aromática permeava a casa de chá e, com uma mesura curta, sua anfitriã lhe entregou a xícara de chá antes que ela se servisse. Sato também lhe agradeceu com uma mesura.

Ele lentamente tomou um gole da bebida quente. O chá estava excelente e parecia revitalizar os seus sentidos. Por fim, tinham esvaziado ambas as xícaras e as colocado na mesa.

Estou muito contente que você passou no teste final e não me desapontou — ela começou a conversa.

Sato olhou para ela, completamente confuso.

Testes... que tipo de testes? E nós nos conhecemos?

Rindo, ela respondeu: — Sato, meu amigo japonês, pense um pouco, ou sua memória é tão ruim assim? E quanto aos testes, você realmente acha que tudo o que aconteceu com você tem sido apenas coincidência ou o resultado do destino imutável?

O pararrealista estava atordoado. De alguma forma ele tinha tido, desde o início, a sensação de familiaridade. Mas, por outro lado, ele não sabia muito das entidades, especificamente, muito pouco. AQUILO não podia agir, bem como os cosmocratas ou os caotarcas. Então quem ou o que realmente restava? Mas ainda havia... sim poderia...

Você... você é Kahaba, a ma... — deixou escapar. A última parte de sua iluminação, ele mal conseguia engolir, lembrou-se muito bem o fato de que SI KITU6 podia reagir de forma muito alérgica quando era chamada por seu apelido.

Viu, você teve apenas que virar a esquina! — ela confirmou suas suspeitas e torceu sua boca em um sorriso irônico. — Mas como estamos aqui, meio que só entre nós, se quiser simplificar meu nome, eu vou permitir que me chame pelo nome que eu ganhei há milhares de anos. Você deveria omitir apenas este complemento de marafona. Você provavelmente também não é alguém que gostaria se o chamassem de Sato, o gigolô, certo?

Novamente ele sentiu que alguém lhe batia com a vara na cabeça. Não só porque, de repente, depois de todos esses séculos, a mãe da entropia reaparecia e o levava para um passeio, não, ela também dera a entender que sua odisseia através das pararrealidades e universos paralelos não tinha sido um produto de circunstâncias adversas ou de um destino irreversível, mas o resultado de uma manipulação maliciosa dos Altos Poderes.

Ele começou a murmurar um mantra para recuperar seu autocontrole. Antes que pudesse dar voz à sua indignação de alguma forma, sua interlocutora pegou e lhe entregou a vara. Instintivamente, ele estendeu a mão para ela. Um sentimento estranho cobriu seu corpo. Era como se uma espécie de energia revigorante penetrasse em cada célula de seu corpo. O material da vara de repente foi sentido de forma completamente diferente. A madeira franzida, intercalada com nós desgastados, de repente estava lisa, brilhava e irradiava um calor agradável. Incrédulo, ele olhou para a vara. A superfície brilhava em ouro fosco que circundava toda a vara como uma espécie de aura. A reverência o agarrou quando ele sentiu o presente que tinha em suas mãos: a vara consistia de uma liga metálica da misteriosa matéria definitiva, que era conhecida pelo nome de carit!

A voz de Kahaba interrompeu seus pensamentos.

Você escolheu sabiamente, Sato-san! A aparência externa muitas vezes é enganosa, apenas aqueles que estão dispostos a olhar por trás da fachada das coisas pode reconhecer a verdadeira natureza delas.

A manifestação da entidade fez uma pausa enquanto distraidamente revolvia provocativamente os cabelos em estilo japonês. Sua figura ficou turva e se manifestou novamente na aparência familiar de um cigano desleixado, mas estranhamente ausente.

Adeus, Sato-san, você tem que ir agora. Nosso tempo expirou, o peão de um dos protagonistas deste atual jogo de xadrez está esperando por você, e não pode, de forma alguma, suspeitar que eu intervim no jogo.

O pararrealista pôde sentir queimar a raiva que despertou nele. Era como sempre; para todas as entidades misteriosas, não importando se eram superinteligências, cosmocratas ou caotarcas, eles eram apenas peões no grande campo de batalha incompreensível, apenas peões no jogo cósmico, jogados para frente, para trás e sacrificados, a critério do jogador.

Peão? Eu também sou apenas um peão para você, seu peão?

A forma já desaparecendo de SI KITU ganhou substância novamente quando ela se virou.

Não, Sato, você definitivamente não é isto. O tabuleiro de xadrez não é o meu jogo e eu não pertenço aos jogadores. Nosso jogo, Sato-san, é o jogo de dados, e temos de garantir que ninguém jogue com dados viciados. Mas eles sempre tentam isso e, portanto, é por isso, Sato, que devemos bater neles; no caso dos casos, também nos dedos. Porque os dados têm de rolar sem serem manipulados por alguém.

A figura da mãe da entropia finalmente começou a se dissolver. E, com ela, todo o meio ambiente.

Ele notou como perdia novamente a âncora. Pararrealidades se tornavam visíveis e desapareciam e, de algum lugar, ele ouviu uma voz do nada:

Pegue seus dados na mão

O destino é um jogo de dados

E sua alma é o penhor!

Venha pelos dados, venha através deles!

Neste jogo não há como voltar atrás

Mais uma vez o seis e você está livre

Mas o tempo está se esvaindo!

Venha através deles, os jogadores vêm através deles!

***

 

Apenas então Ambush percebeu que uma névoa cinza rodava em torno dele e que nenhuma estrutura era reconhecível. Mas onde ele estava? Quando era isso?

Você provavelmente se pergunta onde está?

Ambush não sabia de onde vinha a voz. O tom era do sexo masculino, mas parecia um pouco agitada.

E você, é claro, também se pergunta quem eu sou — disse o desconhecido e ainda acrescentou com um suspiro. — Eu ocasionalmente também me faço esta pergunta.

O nevoeiro se dissipou. Sato estava em uma ponte de pedra. Sob ele, um redemoinho de estrelas, luzes iridescentes e linhas de dança. Em frente, na extremidade da ponte, flutuava uma esfera roxa. A partir de uma abertura brilhava uma luz branca.

Venha para a sala de estar. Ou como dizem no dialeto do seu lugar de origem: Irasshai-mase!

Por favor, entre”, passou pela cabeça de Sato. Ele atendeu ao pedido educado. O que ele tinha a perder?

Ele entrou na luz que vinha de dentro da esfera e foi ofuscado, como se tivesse entrado num objeto brilhante roxo. Estava quente na estrutura. Agradavelmente quente. Em frente a ele apareceu uma mesa de madeira vinda do nada. Atrás dela se rematerializou uma figura sentada em uma larga poltrona verde.

O ser parecia bastante humanoide. Os olhos eram maiores do que os de um ser humano. Seu cabelo era embaraçado, mas as orelhas pontudas salientes nas laterais eram claramente visíveis. A cor da pele era pálida, quase branca. O desconhecido magro sorriu e ergueu a mão levemente. Ele apontou para um ponto atrás da Ambush.

Por favor, sente-se.

Sato se virou. Agora uma cadeira estava pronta para ele. Sentou-se e olhou em volta. O resto da sala estava vago e disforme.

Quem é você? — perguntou ele agora.

Seu interlocutor fez um gesto de desamparo.

E quem é você? Você pode dizer ao certo? Sato Ambush, Embuscade ou apenas as moléculas recicladas de Iratio Hondro7, Inge Meysel8 e o Tenno Jimmu9 do terceiro universo paralelo da direita?

O estranho suspirou teatralmente.

É tudo muito relativo no Multiverso, não é?

Sato respirou fundo.

Você é, penso eu, ao menos um emissário de uma entidade cósmica que quer me conduzir e faz disto uma oportunidade para tirar sarro de mim.

O outro gargalhou e aplaudiu.

Adivinhe! Você conhece DORGON? Não? MODROR? Também não? Você pode se considerar feliz! SAGGITTORA? Humm? Mas está bem, tudo vem com o tempo, meu caro Sato. Em qualquer direção. Tão bom!

Ele se levantou. O espaço assumiu formas claras. Uma sala de estar ficou evidente. Um pouco de controles mais atrás. Presumivelmente, esta esfera era um tipo de espaçonave.

Você pode me chamar de Alysker. E não, esse não é meu nome real, que meus pais me deram no nascimento, mas uma designação.

Ambush considerou por algum tempo se conhecia o significado da palavra Alysker. Se ele já ouvira falar ou lera em algum lugar sobre isso? Mas ele não se lembrou de nada. O nome não era familiar.

Chá? — perguntou Alysker.

Sato realmente estava com sede. Então isso lhe trouxe de volta para suas considerações iniciais. Onde ele estava atualmente? Seu corpo ainda existia ou ele mesmo era o único? Se a sua alma fora para o hiperespaço e ele apenas se recusava a aceitar esse fato, ou até mesmo se era um prisioneiro de Rodrom que dirigia um jogo diabólico com ele?

Alysker olhou para ele com um sorriso compreensivo.

Tudo bem, pequeno japonês de quimono. Você vive, você existe e se salvou da WORDON antes da morte. Porém, você está novamente em outra pararrealidade. Você salta de forma incontrolável entre os universos paralelos e realidades paralelas, de lá para cá. Não é de se admirar que tenha se perdido. Como você vai encontrar o seu universo original?

Alysker tinha feito uma pergunta legítima. Ele não sabia a resposta. Talvez o desconhecido lhe ajudasse?

Curioso, Ambush fitou Alysker.

Este sorria de orelha a orelha.

O sinistro Rodrom, você já conheceu. Vamos colocar desta forma, eu trabalho para o outro lado. Mas é claro que eu assinei um acordo de confidencialidade e as entidades têm os melhores advogados do Universo. Eles o despejaram diretamente na Zona Sem Nome. Portanto, não posso lhe revelar muita coisa.

Um cubo desceu do teto. Cada lado era um monitor mostrando linhas emaranhadas.

Apenas um tanto. Nós vamos passar juntos algum tempo e vai levar algum tempo antes que você volte para o seu universo. Mas isso vai acontecer. A superinteligência SAGGITTORA, que estabeleceu uma aliança com o meu chefe, mais tarde lidará com você. Mas eu quero lhe mostrar uma coisa.

As linhas confusas formaram um único fluxo vermelho sobre o fundo preto vazio. Era como se Ambush navegasse sobre esse fluxo de linhas. Levaram-no para um buraco escuro. Dentro havia um sistema estelar. Ele viu espaçonaves estranhas e diversos mundos, bastante pequenos, que circulavam em torno de um sol. As estações espaciais voavam ao redor de cada planeta.

Esta é a dobra espaço-tempo do povo casaro — disse Alysker.

Seres reptilianos apareceram na tela. Eles se assemelham a cobras, mas tinham algo parecido com braços e pernas.

Por que você está me mostrando isso? — quis saber Sato.

Bem, meu novo amigo, esses são aliados de Rodrom. Eles são seus pesquisadores, mas de uma forma bastante cruel. Eles sequestram representantes de diferentes espécies e os observam, os dissecam no pior caso ou os levam a acreditar numa grande vida.

Os monitores mostram alguns desses prisioneiros. Eram terranos. Pelo menos Sato suspeitava disto. Talvez Alysker lhe mostrasse intencionalmente essas gravações.

Um homem velho e enrugado estava encolhido num castelo podre e mofado e construía um castelo de cartas. Ele murmurou algo em uma língua que Sato identificou como espanhol. Pelo menos de acordo com o dialeto, mas ele não tinha certeza, porque as línguas antigas da Terra não eram mais faladas.

Um pobre velho. Encarcerado numa réplica de seu castelo. Sua esposa, que em seguida fora conduzida à morte e ele foram raptados e abusados pelos casaros, como objetos. Para ele, apenas algumas semanas se passaram, mas ele tem vivido ali desde 1796, da sua antiga contagem de tempo.

Alysker explicou que os planetas estavam em campos de estase. Assim, os casaros tinham tempo para examinar extensivamente o comportamento dos objetos. Em outra imagem, uma colônia terrana pôde ser reconhecida. Um homem alto com cabelo encaracolado e escuro, no uniforme do Império Solar, junto com uma bela loira. Além disso, um gigante musculoso com o cabelo loiro-branco. Ele tinha que ser descendente arcônida ou ao menos um colono.

Sim, eles foram capturados durante a ocupação dos lares. O tipo inteligente e o bárbaro até mesmo tiveram contato com o seu Perry Rhodan — disse Alysker.

Então as imagens se foram.

Existem milhares de tais objetos de pesquisa.

Podemos libertá-los?

Bem, não diretamente. Ainda não. Precisei de séculos para chegar com minhas sondas de monitorização despercebidas na dobra espaço-tempo. Caso contrário, você não teria visto estes belos filmes — disse Alysker, bebericando seu chá. Também Sato bebeu e descobriu que o aroma era muito agradável.

Ele tinha tantas perguntas, mas Alysker presumivelmente recorreria a alguma restrição ominosa para lhe negar a explicação.

Por que...

Deixe-me mostrar isso, Sato Ambush? Bem, esta dobra espaço-tempo está no Grupo Local de seu universo. Rodrom observa vocês para seu mestre e isso não é bom. Mas o meu chefe quer frustrar seus planos. Mas as entidades estão ligadas de forma diferente. Como em um jogo de xadrez que conduzem por um tempo infinitamente longo. Nós somos seus peões.

Eu também?

Alysker balançou a cabeça lentamente e olhou para sua xícara de chá. Mas Sato sabia que ele era mais do que apenas um peão, muito mais! O encontro com SI KITU lhe tinha concedido uma primeira visão sobre as relações cósmicas. Ele tinha entendido a parábola com o jogo de dados, a decisão sobre o nível da espuma quântica aleatório tinha de ser protegido contra a manipulação. Ele pensou por um momento se deveria informar a Alysker que sua experiência com os Altos Poderes lhe havia mostrado que os “peões” não poderiam ser plenamente confiáveis, independentemente de estarem a serviço dos cosmocratas ou caotarcas.

Você vai me acompanhar por um tempo. Nós monitoramos e não nos envolveremos. Ainda não. Mas, mesmo assim, não vamos entrar em contato direto com os mortais normais, mas daremos dicas sutis. Entendeu?

Sato Ambush tinha entendido. Ele decidiu, por enquanto, acreditar nesta criatura misteriosa chamada Alysker, mas também que escolha lhe restava? Isto levou o nexialista a tentar ficar confortável na TUREL, que era como se chamava esta espaçonave que, aparentemente, podia constantemente mudar sua forma.

Sato ficou um pouco decepcionado por não retornar diretamente para o seu universo natal e poder apoiar Perry Rhodan, mas esta dobra espaço-tempo dos casaros parecia ser muito importante. SI KITU o tinha, provavelmente não em vão, adicionado ao nível de existência desta criatura que se autointitulava Alysker. E um dia, algo que ele tinha certeza, voltaria novamente para o seu universo e veria seus amigos.

E até lá, ele provavelmente experimentaria um pouco de aventura com o ser excêntrico.

 

  1. Capítulo 8 

Retorno para Saggittor

 

Mal a LONDON apareceu na extremidade do sistema Saggitton, foi cercada por centenas de caças espaciais. Houve grande agitação entre os membros da tripulação da LONDON, embora a maioria ainda estivesse inconsciente devido ao choque de estranheza e tivesse de ser cuidada por robôs.

Os caças espaciais em forma de seta foram seguidos pelos couraçados discoides dos saggittonenses.

Um belo comitê de recepção — disse Rhodan, sarcástico.

Aurec permaneceu calmo e fez contato por rádio com os caças. Ele não falou muito, apenas: — Aqui é Aurec. Eu estou vivo. Não disparem!

Os pilotos dos caças discutiram sobre isso. Nordment pôde acompanhar um tráfego de rádio bem ativo. Todo mundo tentava conseguir novas instruções com um supervisor.

A exploração do sistema, dentro do possível, mostrou um quadro assustador. Aproximadamente 200.000 couraçados, cruzadores e caças saggittonenses estavam presentes.

Aurec estabeleceu contato com o comandante da frota, um barbudo, um saggittonense de pele escura com cabelo curto. Rauoch fora o único responsável que atendera às mensagens de rádio.

A família do Chanceler foi assassinada. Isso significa que você está com os estranhos por trás disto. Mas eu não acredito nisso — disse o comandante de uma pequena associação da frota, da qual a LONDON estava próxima.

Me acusar pelo assassinato de minha amada família é tão desonesto quanto grotesco. Foi trabalho do almirante Dolphus e do poder por trás da barreira. Eles queriam impedir uma aliança entre nós e os galácticos.

O comandante saggittonense refletiu. Então ele se afastou de Aurec porque uma mensagem lhe foi entregue por um oficial. Aurec suspirou e olhou com um olhar sério para Perry Rhodan. Então, finalmente Rauoch voltou para o filho do chanceler saggittonense.

Perdoe-me, senhor! Nós recebemos uma ordem do Comando Central para destruir a LONDON. Mas todos nós concordamos que não vamos fazer isso. Dolphus tem explorado a situação caótica, mas a maioria dos saggittonenses não quer uma guerra contra os galácticos.

Rauoch fez uma reverência.

Você agora é o Chanceler de Saggittor, Aurec! Eu subordino a frota ao seu comando. Vamos proteger a LONDON com nossas vidas.

Aurec pareceu surpreso, porque ele tinha que primeiro se conciliar com a ideia de que agora era o chefe de governo dos saggittonenses.

Eu não espero qualquer gesto de humildade de você, querido amigo — disse finalmente Aurec, mais composto. — Devemos a todo o custo evitar uma guerra civil. Por favor envie através do canal da frota minha mensagem para os membros da nossa frota espacial. Dolphus é o assassino de meu pai. No centro da nossa galáxia se esconde o verdadeiro inimigo. Fomos levados por uma estranha espaçonave perto de Ilton, por uma anomalia espacial responsável por nosso desaparecimento. Isso foi trabalho de desconhecidos do centro, que foram apoiados por Dolphus.

Rauoch transmitiu a mensagem para todas as unidades. Aurec também pediu cautela e recomendou não tomar qualquer ação ofensiva. Ele queria tirar o vento das velas de Dolphus. As unidades formaram um ferrolho defensivo para a LONDON.

Cerca de 31.000 unidades da frota imediatamente reconheceram Aurec, enquanto a maior parte ficou a espera.

 

***

 

Aurec informou Perry Rhodan que agora era 19 de novembro de 1285 NCG. Junto com seu amigo terrano e o somerense Sam, seguia uma transmissão por hipercomunicador tridimensional de Dolphus para os saggittonenses.

Dolphus estava a bordo da SAGRITON e parecia planejar uma invasão no Grupo Local o mais rapidamente possível. O rosto enrugado do autonomeado Chanceler e comandante-em-chefe expressava dureza e determinação.

Povo de Saggittor!

A hora gloriosa raiou. Após o assassinato vergonhoso de toda a família do Chanceler, vamos punir os galácticos, destruindo-os! Eles ainda desejarão nunca ter nos conhecido! Viva Saggittor! Vitória! Vitória! Vitória!”

Irritado, Aurec bateu com os punhos em um console, então olhou para os outros com um olhar firmemente determinado.

Eu vou fazer esse traidor expiar os seus atos!

Ele ativou o intercomunicador da LONDON e enviou sua própria mensagem para todos os canais:

Aqui é Aurec, filho de Doroc e, após sua morte, seu legítimo sucessor. Dolphus é um traidor que fez um pacto com as forças do Caos. Estes são os desconhecidos que ainda dominam o centro da nossa galáxia. Estes desconhecidos e seus lacaios assassinaram cruelmente minha família, por Dolphus. Os galácticos, contra isso, são nossos amigos. Faço um apelo aos membros da gloriosa frota saggittonense e a todos os cidadãos da república saggittonense. Deponham este assassino e tirano!

Após o fim da mensagem, uma maior agitação veio das unidades da frota. Por um lado, as tripulações estavam amarradas com Dolphus porque ele ainda era o comandante-em-chefe, mas, por outro lado, Aurec, como Chanceler, estava acima do almirante-mor. O saggittonense fez com que sua mensagem fosse repetida ininterruptamente, para documentar seu retorno. Dezenas de repórteres voaram com espaçonaves para a LONDON, mas as unidades de Saggittor bloquearam tudo.

 

  1. Capítulo 9 

Luta contra o ditador

 

Dolphus estava literalmente em estado de choque. Ele gritava descontroladamente e insultava todos: — Idiotas fracos. — Sua equipe mais próxima era uma unidade de elite que fora pessoalmente selecionada e controlada por ele, mas, entre os soldados comuns, começou a crescer a simpatia pelos simpatizantes particularmente leais a Aurec.

Dolphus sentou em sua cadeira de comandante e mirou o chão, depois ele se levantou. Seu rosto se contorcia com a tensão.

Aqui fala o Chanceler da República — começou o saggittonense. — Todas as unidades: ataquem a LONDON por todos os meios e a destruam imediatamente!

Houve um silêncio mortal na sala. Ninguém se atreveu a dizer nada, todos apenas olharam para o autonomeado chanceler.

Então, ele se dirigiu para as outras unidades. Uma onda de caças espaciais se dirigiu para a LONDON, mas se virou logo em seguida. Dolphus observou isto pelo holo do campo de batalha. Seu corpo começou a tremer.

O que é isso? Seus ratos covardes! Isto é um motim! — ele gritou várias vezes, até que sua voz começou a ficar rouca. — Navegador, a SAGRITON vai atacar. Navegue até a LONDON!

Nesse momento, outra mensagem foi anunciada. O Conselho de Saggittor tinha decidido investigar o assunto em Saggitton. Dolphus foi proibido de quaisquer ações militares no momento. Tal como previsto no direito saggittonense, Aurec e Dolphus teriam que se apresentar perante o Conselho de Saggittor.

Agora, para piorar as coisas, até mesmo uma entrevista com Aurec era transmitida.

Um repórter do canal de informações saggittonense tinha conseguido avançar até a LONDON. Ele tinha aproveitado a confusão de unidades militares para voar através da barreira. Junto com sua equipe, ele relatava ao vivo da LONDON. Aurec explicou a situação. A entrevista foi retransmitida por todas as estações. A chegada de Aurec e sua história se espalharam como fogo. Dezenas de milhares de unidades desobedeceram Dolphus. Agora, até mesmo ao Conselho de Saggittor. Dolphus amaldiçoou. Ele deveria ter matado todos como fez com Doroc.

A verdade vinha à luz. Dolphus ainda não tivera tempo suficiente para realizar uma tomada organizada. Ele ainda tinha muitos inimigos, que queria eliminar durante ou após o ataque à Via Láctea. No momento, ele ainda estava bastante vulnerável, como amargamente evidenciado. A frota de escolta de Aurec flanqueava com suas espaçonaves o voo do filho de Doroc na LONDON.

Recebemos uma mensagem por hipercomunicação do ministério. O Conselho de Saggittor revogou a nomeação de Dolphus para chanceler. Eles aguardam sua chegada ao Conselho — disse o primeiro-oficial Waskoch.

A Dolphus, por enquanto, não restava nenhuma alternativa. Ele ordenou que a SAGRITON voltasse para Saggitton.

Lá, ele teria de enfrentar Aurec.

 

  1. Capítulo 10 

Perante o Conselho de Saggittor

 

Não é comum que estranhos participem de uma reunião do Conselho, Perry. Porém, como você ainda é visto oficialmente como o assassino de minha família, será feita uma exceção — disse Aurec enquanto ajustava seu uniforme estragado.

Uma honra duvidosa. Mas provaremos nossa inocência — reagiu Rhodan, combativo.

O saggittonense suspirou.

Mas como? Não temos nenhuma evidência. Dolphus tem a gravação do Gys-Voolbeerah.

Vai dar certo — Rhodan animou seu amigo saggittonense, que lutara bravamente nos últimos dias. Aurec teve não só de lidar com a perda de toda a sua família, ele havia prevalecido em um universo estranho, em uma época passada, contra mercenários de Rodrom e agora estava lutando não só por sua própria vida, mas pelo futuro de seu povo, na verdade, de toda a sua galáxia.

Outros teriam entrado em colapso sob esse fardo. Embora Aurec estivesse notadamente sério, Rhodan sentiu claramente a natureza especial que tinha o saggittonense. Rhodan e Aurec deixaram a cabine e já eram esperados por Sam.

Os senhores estão prontos? — perguntou o somerense com plumagem azul.

Tão prontos como se poderia estar nessa situação — respondeu Aurec.

Sam iria acompanhá-los. Rhodan precisava da arte diplomática do somerense. Ele também seria testemunha na audiência. Os três foram para o hangar, onde foram recebidos por uma delegação saggittonense. Na liderança estava o confiável comandante Rauoch, que fizera o primeiro contato com Aurec e que seguira sua consciência.

Rauoch entregou um dispositivo de armazenamento de dados a Aurec.

Há informações importantes que encontrei nos bancos de dados da vigilância de Ilton. É uma cópia de segurança que não foi, inadvertidamente, excluída.

Aurec pegou o dispositivo de armazenamento. Rhodan esperava que a informação fosse ajudá-los. Agora os três foram entregues aos guardas com uniformes azul e verde do Conselho. Amigavelmente, mas de forma firme, escoltaram Aurec, Sam e Rhodan para o bote espacial saggittonense que poucos minutos depois deixou a LONDON.

Diante deles estava Saggitton. Como a Terra, o planeta era cercado por uma densa cobertura de nuvens. Pelo menos no lado virado para eles. O bote espacial entrou em órbita e entrou um pouco mais tarde na atmosfera. Não surpreendeu que estava chovendo quando eles se dirigiram para a capital Nooran. O escaler sobrevoou o complexo do governo. Rhodan olhou para o palácio do chanceler. Ele tinha jantado pacificamente há poucos dias com Doroc. Eles escolheram um caminho através dos prados e extensos jardins até chegarem a um complexo com prédios amarelos, arcadas arredondadas e torres curvas. A espaçonave pousou lá. Os guardas escoltavam Rhodan, Aurec e Sam da nave. Diante deles, a cerca de cem metros, estava a sede do Conselho de Saggittor.

Rhodan contou, com base nas janelas, sete andares. Como a maioria dos edifícios saggittonense, estava pintado de amarelo. O telhado rodado era verde. Eles foram conduzidos para um arco-portal elevado.

O salão circular estava decorado em tom marrom. Era ali que diligentemente saggittonenses, holpigonidas, varnidenses e troettenses realizavam seu trabalho.

Sigam-me — pediu o líder da guarda.

Seu caminho levou direto para a sala de reuniões, cujo estilo não era diferente do salão de entrada.

Os conselheiros se sentavam em largas poltronas bege, em semicírculo, olhando para os recém-chegados. Perry Rhodan olhou para os representantes do povo. Se tivesse compreendido corretamente, eles eram os melhores representantes de seus povos e também tinham um papel de supervisão em relação ao Chanceler.

Bem-vindo, Aurec — disse um holpigonida, que lembrava de vista um molusco.

Jurutzz — respondeu Aurec e se curvou.

Sejam bem-vindos em nossas salas também o galáctico e o estartunense — sussurrou um varnidense que parecia uma tulipa viva. O corpo gracioso e verde serpenteava em volta da cadeira. As raízes estavam em uma poça de água. — Pelo menos até que seja provada sua culpa — acrescentou a planta. As pétalas se espalharam. Rhodan agora viu bem onde estava o rosto desta criatura. Um grande olho e uma boca larga se escondiam na própria flor.

Você é acusado de assassinar o chanceler Doroc e sua família. Além disso, você e seus galácticos são acusados por manipulação mental de Aurec — acusou um troettense, que lembrava um buldogue de tamanho humano. O canídeo olhou com severidade a partir dos três olhos castanhos para Rhodan.

O multivon, um ser mecânico cor de bronze, e o saggittonense ficaram em silêncio. Estes eram os cinco representantes do Conselho. Os principais representantes dos povos de Saggittor.

A porta se abriu. Dolphus entrou. Ele apontou para Rhodan e Aurec.

Assassino! — exclamou ele, claramente com falsa indignação. — Assassino e traidor! Agora você quer tomar o poder para si mesmo.

Isto, claramente, precisa ser provado — disse o multivon sobriamente. A voz era metálica. Sua boca não se moveu, pois ele não tinha nenhuma. O multivon fora claramente construído à imagem de um saggittonense, mas lembrava mais um robô, apesar de a construção ter formas humanoides. Um tipo de alto-falante representava o órgão da fala. Os olhos eram lentes visíveis nos lados da cabeça oval, da qual se estendiam antenas pontiagudas. Os membros dos seres mecânicos eram esbeltos.

De que provas você ainda precisa? As gravações das câmeras de segurança mostram que Perry Rhodan, junto com outras quatro criaturas, assassinou brutalmente Doroc e sua família — interrompeu Dolphus, olhando com reprovação para Rhodan.

Sam acenou brevemente com as asas e assim obteve a atenção do Conselho. O somerense pediu para passar os registros. O Conselho atendeu sua solicitação. Aurec assistiu friamente ao assassinato de sua família. Rhodan, aliás, o deformador de moléculas, o condicionado em segundo grau, o lare, o hauri e o pteru mataram impiedosamente toda a família do Chanceler.

Mais inequívoco não poderia ser — constatou Dolphus.

Sério? — perguntou Sam.

Ele olhou para o Conselho e caminhou até seus assentos.

De onde vêm esses guerreiros? Não é verdade que, durante a captura da LONDON pela SAGRITON, os membros da tripulação e os passageiros foram gravados pelo computador central da SAGRITON e entraram em um banco de dados?

Os membros do Conselho se olharam interrogativamente. Dolphus ficou em silêncio e olhou para o chão. Ele cerrou os punhos.

Jurutzz tomou a palavra.

Realmente. Eu há pouco busquei esses dados da SAGRITON.

O que você está sugerindo, somerense? — perguntou o varnidense.

Estes seres são de povos que não estavam na LONDON. Condicionados em segundo grau são considerados extintos há dois mil anos. Com os lares e Gys-Voolbeerah, os galácticos não têm contato. Os hauris são considerados pouco sociáveis — expôs Sam. — Com isto surge a questão: então de onde estes seres vieram?

Rhodan teve de reprimir um sorriso. Sam poderia ter se tornado um advogado.

A objeção é lógica — concordou o multivon. — Rhodan não tinha como obter reforços do Grupo Local. Ou os galácticos já mantinham uma força de combate em Saggittor ou eles não eram seguidores de Rhodan.

Eles são truques de teatro baratos de Rhodan. Ele pode ser visto na gravação. Isso prova tudo — gritou Dolphus com raiva.

Eu concordo com o almirante — agora o saggittonense gordo no Conselho indicou o desejo de falar. Aurec sussurrou que o saggittonense Perus sempre fora um defensor de Dolphus.

Eu não penso assim — disse o varnidense. — Continue, somerense.

Muito obrigado. Outros dados nesta memória mostram que duas espaçonaves estranhas estavam perto de Ilton. Além disso, os resultados da análise mostram claramente que Perry Rhodan e Aurec no momento do assassinato estavam longe dos acontecimentos. Em terceiro lugar, peço que notem que alguns soldados de elite desapareceram após uma solicitação de Dolphus. Temos as ordens às pessoas desaparecidas graças ao zelo em uma ação dos saggittonenses Waskoch, Serakan e Rauoch, que puderam trazer isso à luz. Além disso, temos um prisioneiro kjolle e uma espaçonave danificada, que ficaríamos felizes em passar para os saggittonenses.

Com isso, Sam terminou sua enumeração de provas. Rhodan olhou para os rostos e gestos dos presentes. Dolphus, encolhido em sua cadeira, sacudia as pernas cruzadas e pressionou seus dedos no encosto. Os membros do Conselho discutiram e analisaram os dados do suporte da mídia de armazenamento.

Jurutzz fez um murmúrio.

O Conselho é da opinião de que nem Perry Rhodan nem Aurec podem ser claramente implicados como envolvidos no assassinato da família do Chanceler. Soa bem mais plausível que eles foram vítimas de maquinações deste Rodrom.

Perus pigarreou.

Mas como o Conselho não encontrou nenhuma evidência do envolvimento do almirante Dolphus. Pessoalmente, sinto que Dolphus agiu corretamente. Ele é um soldado e apenas agiu de...

Dolphus bateu palmas duas vezes e riu triunfante. Rhodan sabia que, assim, o perigo que Dolphus representava ainda existia. Mas ele estava mais uma vez animado com o resultado final do Conselho.

A contradição só pode ser resolvida se tivermos uma prova da existência do poder estrangeiro no centro de Saggittor. Até então, o almirante Dolphus será novamente comandante das forças de combate. É Aurec o novo chanceler de Saggittor, no entanto, o Conselho se reserva o direito de apoiar e acompanhar Aurec até que a questão seja finalmente resolvida — disse Jurutzz.

Aurec se adiantou e se inclinou ligeiramente. Então ele foi até Dolphus e parou na frente dele.

Vou me vingar dos assassinos de minha família — disse Aurec, sério.

Dolphus se levantou e se remexeu.

E eu esmagarei os traidores de Saggittor.

Aurec fez uma careta.

Então deve começar com você!

O novo chanceler fez um sinal curto para Rhodan e Sam. Em seguida, os três deixaram a sala do Conselho. Pouco depois, o Conselho de Saggittor anunciou sua decisão em público. Apesar de Perry Rhodan, Aurec e os passageiros no LONDON terem sido absolvidos, a situação permanecia tensa.

Dolphus ainda era poderoso e Rodrom ainda se escondia no centro de Saggittor. Rhodan sabia que não podia deixar M-64 antes que pudesse resolver com Aurec estes dois problemas.

 

  1. Capítulo 11 

O novo Chanceler de Saggittor

 

20 de novembro de 1285 NCG

Aurec estava na praia da pacata aldeia de pescadores Bossin. Apesar das baixas temperaturas e do vento frio que soprava do mar em seu rosto, ele gostava da paz e solidão. Quando criança, seu pai fora muitas vezes com ele para pescar neste idílio longe das metrópoles agitadas de Saggitton.

Bossin tinha apenas cerca de 800 habitantes, que se contentam em levar uma vida simples como pescadores ou trabalhadores rurais. Aurec gostava de tais lugares isolados, existentes aos montes em seu planeta natal. Os saggittonenses eram conscientes e gostavam de passar seu tempo livre com a família na natureza. Para Aurec era uma marca da humildade, porque, apesar de toda a tecnologia, a própria natureza era a maior conquista, se quisesse chamá-la dessa forma.

Aurec observava um casal de velhos que, em grossos agasalhos, saboreavam uma caminhada ao longo da praia. Aqueles eram seus saggittonenses. Ele não podia deixá-los à mercê de Dolphus. Eles não podiam continuar a viver sob a ameaça de Rodrom. Aurec tinha que impedir isso. Ele ficou satisfeito de que Perry Rhodan estaria ao seu lado, porque este terrano tinha uma grande experiência, especialmente quando se tratava em lidar com os perigosos poderes desconhecidos.

Aurec tivera um vislumbre das forças do Caos. Rodrom e seus mercenários eram bestas. E em Dolphus eles tinham um companheiro disposto, porque ele queria apenas guerra e acreditava que Saggittor precisava conquistar galáxias para provar sua dimensão e posição dominante. Enquanto Dolphus acreditava ser um saggittonense de ponta, nele estava representado tudo o que um verdadeiro saggittonense de ponta desprezava. Guerra pela guerra, ódio infundado por inteligências estrangeiras e crueldade fria.

Dolphus era um homem de poder. Ele estava firmemente convencido de que a sua vontade correspondia ao bem-estar de Saggittor. A guerra contra o Grupo Local teria sido um assalto, que teria custado a vida de milhões de inteligências.

Aurec realmente ficara chocado por ele ter tido defensores de tal política. Obviamente, sob a fachada de paz, se escondia uma certa sede de sangue nos saggittonenses. Talvez eles estavam confusos com o assassinato de seu pai, sua mãe e irmãos e ficaram chocados. Já não havia algo assim há eras. Guerra e terrorismo eram desconhecidos em Saggittor, o crime estava limitado às colônias distantes. Durante as eras, os saggittonenses só tinham jogado a guerra, mas nunca a praticado. A aliança dos povos de Saggittor era firme e inseparável.

Pelo menos era essa a impressão que se tinha. Mas Aurec se perguntou se poderia aceitar tais realizações para povos amantes da paz inteligentes? Talvez para as últimas gerações tenha sido mais fácil manter e lutar pela paz. Mas era necessário lutar por ela e sempre estar vigilante, porque o caminho para o Caos estava, obviamente, sempre um pouco aberto.

Aurec estremeceu. Agora, o frio se fez sentir mais notável. Ele se virou e voltou pela praia, entrou em seu planador e voou de volta para Nooran, escoltado por quatro planadores da guarda do governo.

 

***

 

21 de novembro de 1285 NCG

Aurec se despediu de seu pai Doroc, que tinha sido um soberano benigno, gentil e correto. Doroc ensinara a Aurec algumas lições sobre guerra e defesa, viveu como um exemplo para seu filho, e governou o seu povo leve e com uma pitada de humor.

Aurec disse adeus a sua mãe. Ela sempre havia lhe dado, como a uma criança, amor, bondade e atenção. Ela sempre esteve lá para ele e sempre estava com ele, mesmo que ele fosse conduzido como uma criança num ou outro sentido.

Aurec se despediu de seu irmão Baahl, que ele nem sempre compreendera bem, por não compartilhar seu estilo de vida letárgico. Mas Baahl tinha um bom coração. Ele não poderia fazer mal nem a um fanzie, quanto mais a alguém, porque nunca tinha participado ativamente de caçadas com o pai, porque Baahl sentia como crueldade até mesmo os raios paralisantes lançados contra os animais.

Aurec se despediu de sua irmã Vesporia. Sua pequena princesa, que quase não podia ser sobrepujada em beleza e graça.

Ele não conseguia esconder as lágrimas que correram pelo seu rosto. Os quatro caixões estavam no mausoléu dos antepassados, localizado um quilômetro abaixo do complexo no qual estava o palácio. Lá eles descansariam, junto com outras famílias de chanceleres.

Aurec sentiu a mão do seu amigo Serakan em seu ombro. Ele conhecia Serakan desde seu tempo na academia militar. Mesmo que tivessem origens completamente diferentes, eles tinham, desde então, se unido em uma amizade firme.

Aurec olhou para o amigo, o oficial esperto que, com seu sorriso, a barba de três dias e longo cabelo ondulado, fazia derreter os corações de muitas mulheres. Mas, desta vez, Serakan aparentemente não sentia nenhuma vontade de sorrir. Ele olhou tristemente para Aurec, cuja dor aparentemente compartilhava.

Aurec só conseguiu um aceno hesitante. Em seguida, ele seguiu os coveiros do mausoléu, para finalmente dizer adeus a sua família.

Não importava que consolo recebesse, ele se sentia naquele momento sozinho e abandonado.

 

***

 

Aurec se alegrou quando a noite havia terminado. O funeral sem fim o tinha exaurido. Centenas de saggittonenses tinham expressado suas condolências e ele sempre tinha reagido com a dignidade de um chanceler. Com expressão de pedra, ele lhes tinha dado um sorriso triste. Aurec se tinha valido de muita força para isso.

Esses saggittonenses tinham boas intenções, mas era terrivelmente difícil não deixar seu luto desencadear livremente.

Aurec desejou que Shel Norkat estivesse ali. Embora Shel, Perry Rhodan, Sam, Rosan Orbanashol e alguns outros representantes da LONDON tivessem comparecido ao funeral, Shel tinha largamente ignorado Aurec e depois desaparecido novamente. Talvez ela simplesmente não soubesse como deveria reagir.

Aurec se sentou e respirou fundo. Não havia muito o que fazer. Eles tinham de desativar de alguma forma a barreira no centro e destruir a estação de Rodrom.

Aurec tinha que tomar cuidado acima de tudo com Dolphus. Ele estava à espreita, apenas esperando para tirá-lo do Conselho de Saggittor. Aurec se levantou, serviu-se de um bisca perfumado que verteu num copo vazio, para se valer do efeito da deliciosa bebida forte e refrescante.

Eles tinham capturado um kjolle. Mas, até agora, esse ser não tinha falado uma palavra. A espaçonave fora examinada pelos melhores cientistas.

Talvez os pesquisadores encontrassem um caminho para atravessar a barreira no centro de sua galáxia. Aurec não conseguia dormir de qualquer maneira, então ele foi para a LONDON. Ele queria ver Shel Norkat.

 

***

 

A vida tinha voltado para a LONDON. Os passageiros e a tripulação tinham se recuperado do choque de estranheza e pareciam felizes e satisfeitos para o Chanceler saggittonense. Alguns dos passageiros perceberam que Aurec os olhavam com admiração. Aurec se sentiu bastante desconfortável.

Alguns saggittonenses, troettenses e varnidenses estavam na LONDON. Eles se maravilhavam com as exposições no salão estelar. Outros firmavam acordos comerciais com os empresários galácticos. Ali crescia, apesar dos problemas iniciais, esperançosamente uma estreita amizade entre duas ilhas estelares.

Mas a surpresa de Aurec foi grande apenas quando Perus atravessou seu caminho. O conselheiro de Saggittor sorriu para Aurec, como se fossem melhores amigos. Mas o velho saggittonense meio careca e obeso, que precisava de dieta, tinha desconfiado abertamente de Aurec e simpatizara com Dolphus.

Como mudam rapidamente os pontos de vista — constatou Aurec.

Perus sorriu.

Eu sou um político. Talvez tudo fosse um mal-entendido e Rodrom estivesse por trás disso. De qualquer forma, eu mostro minha boa vontade em conhecer os galácticos — disse presunçosamente Perus.

Bem, boa sorte — disse Aurec e deixou o político. Ele não se sentia bem em sua companhia.

Aurec saiu do salão estelar e desceu vários andares, para um dos corredores onde estavam as cabines dos passageiros. Ele vagou pelo corredor estreito, bem iluminado, com paredes brancas, até chegar à cabine de Shel Norkat. Ele respirou fundo e ativou a campainha da porta.

Mas nada aconteceu. Aurec esperou um pouco, depois voltou para o salão estelar e caminhou por lá. Em um restaurante, ele finalmente encontrou Shel, com outra mulher e um homem terrano. Ela parecia se divertir, ria muito e, aparentemente, não parecia desperdiçar nenhum pensamento com Aurec.

O saggittonense permaneceu na entrada do restaurante, encostou-se no marco, cruzou os braços na frente do estômago e observou Shel. Ela estava linda. A loura terrana de olhos azuis tinha um efeito sobre ele. Shel tivera um bom desempenho durante a aventura no passado de um universo paralelo. No entanto, no final as acusações dela caíram sobre Aurec. Ele não entendia a distância súbita de Shel.

A outra mulher provavelmente se deu conta de Aurec. Ela bateu em Shel, que olhou agora para Aurec e se surpreendeu. Ironicamente, a outra mulher se levantou e foi até ele.

Bom dia, eu sou Terna Ambyl, a gerente de cruzeiro da LONDON. Tenho o prazer de recebê-lo a bordo, Chanceler de Saggittor.

Eles apertaram as mãos e Aurec lhe deu um beijo na mão.

O prazer é meu — respondeu o saggittonense.

Terna Ambyl lhe pediu para se sentar na mesa deles. Shel o cumprimentou amigavelmente e perguntou sobre o funeral. O terrano era um corretor de seguros, chamado Cayron Luz. Ele queria falar com Aurec sobre uma agência de seguros em Saggitton, mas o homem já bêbado se referia ao Chanceler como um homem de negócios. Shel já estava embriagada. Ela parecia gostar muito de beber. Aparentemente, no seu primeiro encontro com ele, pelo menos até onde ele notou, ela não estivera embriagada.

Aurec queria falar a sós com Shel, mas percebeu que não era o momento certo. Sentia-se desconfortável e indesejável. Embora ele tivesse construído ao longo dos últimos diats sentimentos para com a terrana, ela se mantinha alheia a ele. Seu comportamento em relação a ele era substanciado.

Aurec se levantou e disse adeus. Quando ele estava a meio caminho para sair do restaurante, Shel lhe apertou um cartão na mão.

Essa é a chave reserva para a minha cabine. Se você for me visitar mais tarde, então podemos conversar, ou algo assim.

Ela lhe deu um beijo nos lábios e caminhou de volta para a mesa. Aurec a fitou, intrigado. Ele notou os olhares dos convidados, limpou a garganta e saiu apressado.

 

***

 

Na presença de seus novos amigos, Perry Rhodan e Sam, Aurec se sentia confortável. Ele não sabia o que fazer com Shel. Ele gostaria de ter devolvido o cartão de código para a sua cabine, mas ele estava simplesmente confuso.

Aurec se sentou na sala de conferência ao lado da ponte, que realmente era destinada aos oficiais da LONDON. Mas Rhodan, Sam, James Holling e o saggittonense haviam se estabelecido confortavelmente lá, para discutir os próximos passos.

Rhodan informou que o kjolle ainda estava em silêncio. No entanto, Rhodan tinha recebido notícias de Alexander Moindrew alguns minutos atrás, que tinha investigado em conjunto com os cientistas saggittonenses os restos do kjolle.

Eles foram capazes de criar uma série de programas e acreditam que a nave-disco tem um aparelho que abre uma falha estrutural na barreira — disse Rhodan.

Tudo bem, então vamos tentar e ver se isso funciona. Esperar é desagradável para mim — decidiu Aurec.

James Holling tossiu. Aurec olhou interrogativamente para o capitão da espaçonave de luxo.

A LONDON não é nenhuma nave de guerra.

Aurec sorriu firmemente.

Não se preocupe, a LONDON continuará aqui. Vamos levar a espaçonave do kjolle para SAGRITON e operar a partir de lá.

Rhodan não tinha objeção. Ele só pediu para estar lá. Ele deixou claro que haveria um confronto militar.

Há sempre a questão de saber se um ataque poderia ser evitado — apontou Sam. Primeiro Aurec segurou as palavras contundentes nos lábios, mas não disse nada e depois pensou sobre as palavras do somerense.

Talvez um ataque contra essa barreira pudesse ser inadequado? Uma guerra preventiva não era do gosto de Aurec. Os saggittonenses agiriam ali como agressores.

Porém, por outro lado, estava documentado que o ser vermelho viera da barreira. Rodrom tinha admitido no restaurante em Nova York que usara Dolphus e os saggittonenses para assassinar família de Aurec.

Só um tolo poderia negar uma conexão direta entre Rodrom e a barreira. Pelo que eles ainda deveriam esperar? Que uma frota de invasão atacasse os planetas habitados da galáxia?

Além disso, ele não poderia negociar com ninguém. Não havia representantes da barreira, e quem tivesse encontrado Rodrom uma vez claramente veria que ele não estava nem um pouco interessado em paz.

Não, apesar de todas as reflexões pacíficas, Aurec sabia que uma grande batalha era iminente. Ele sabia muito bem que saggittonenses morreriam. E sacrificar esses seres não seria fácil. Mas que alternativa havia? Render-se, ficar à mercê de Rodrom e esperar o que aconteceria a seguir? Cancelar os contatos com o Grupo Local e esperar pela graça de Rodrom? Essa não era uma alternativa.

A barreira tinha de ser rompida e o inimigo expulsado de Saggittor. Aurec não queria que os habitantes da galáxia vivessem em constante medo de que em algum momento uma frota espacial hostil cairia do centro da galáxia sobre eles.

As coisas mudaram após Rodrom ter se mostrado abertamente. A criatura vermelha agora não era mais uma lenda antiga, mas um autodeclarado adversário de Saggittor e seus aliados.

A camuflagem de Rodrom e sua estação no centro da galáxia estava acabada. Quanto tempo Rodrom provavelmente esperaria até que ele tomasse a iniciativa, a fim de subjugar Saggittor? Não era um conflito entre duas espécies diferentes, onde geralmente estavam em jogo recursos, habitats ou opostos desconfiados. Rodrom havia assassinado a família de Aurec. Ele havia usado Dolphus como um déspota submisso para promover a guerra contra o Grupo Local.

A galáxia Saggittor era apenas um peão para Rodrom. Nada mais. A qualquer momento Rodrom estaria disposto a sacrificar milhares de milhões de criaturas para seus propósitos. Com Rodrom não se podia esperar negociar ou raciocinar por uma coexistência pacífica.

Aurec deu a Sam um sorriso forçado.

Não, meu amigo. Esta guerra é inevitável. Nós ainda não a começamos, mas daremos um fim a ela. Rodrom provou a todos nós que ele quer a sua destruição e se servir dos saggittonenses como uma ferramenta. Nós não. Vamos jogar os invasores para fora da galáxia!

Aurec estava determinado. Ele castigava seu corpo e sentia uma dor desagradável no pescoço. Ele ainda não havia chegado a consultar um médico. Mesmo se estivesse muito ferido e se sentisse desconfortável, ele tinha coisas melhores para fazer agora. Os próximos diats seriam cruciais para Saggittor.

***

 

Aurec ficou ocupado até tarde da noite com o planejamento da operação. A partida para a região do centro da galáxia deveria acontecer no dia seguinte. Mas seu maior problema era o próprio Dolphus. O Conselho não concordara com a destituição de Dolphus, assim, o almirante, como comandante da frota, era informado de todos os planos.

Se Dolphus ainda estivesse em contato com Rodrom, ele transmitiria seus planos de ataque ao Vermelho. Portanto Aurec tinha desenvolvido, em conjunto com Rauoch e oficiais leais, planos de contingência secretos, dos quais Dolphus não tinha sido colocado a par.

Aurec tinha trabalhado nos planos em conjunto com Rauoch, Serakan e o primeiro-oficial da SAGRITON Waskoch, na LONDON. Ali eles não eram observados por possíveis espiões de Dolphus. Serakan tinha proposto ignorar a ordem do Conselho e aprisionar Dolphus, mas Aurec não queria. Ao contrário de Dolphus, ele respeitava as leis da República. Ele não podia se rebaixar assim. Embora isso fosse muito difícil para ele. Dolphus era cúmplice da morte da amada família de Aurec. Simplesmente atingi-lo com um radiador ou esfaqueá-lo com a espada, que possuía como insígnia de governante, teria sido mais simples, mais justo e talvez mais satisfatório. Se Aurec não fosse o Chanceler, talvez ele tivesse feito isso. Mas agora ele tinha a responsabilidade de trilhões de seres vivos da galáxia. E ele tinha de levar isso em conta em todas as suas ações.

Simplesmente eliminar Dolphus não era uma opção. Isso não era digno para Aurec e os saggittonenses.

Dolphus estava vinculado aos comandos de Aurec e ao Conselho de Saggittor. Mas ele era bem capaz de sabotar um possível ataque. Ele poderia atrasar os comandos, deliberadamente espalhar boatos ou mesmo tentar matar Aurec no calor da luta para voltar a tomar o controle para si. Aurec tinha que estar preparados para tudo.

O saggittonense se inclinou profundamente na cadeira. A parte de trás ainda doía. No bolso ele encontrou o cartão de código para a cabine de Shel. Talvez ela ainda estivesse acordada. Quando lhe tinha dado de forma inequívoca a chave para seus aposentos, ela estava esperando, provavelmente, que ele aceitasse o convite.

Sua companhia poderia dar um pouco de força para ele e talvez ele precisasse urgentemente disso nos próximos diats e semors. Aurec se levantou, fazendo uma careta quando a dor se tornou forte novamente, e deixou a cabine.

O saggittonense olhou para os conveses externos da LONDON. Acima deles se estendia a cúpula de vidro. Sobre ela brilhavam as estrelas de Saggittor. Abaixo do nível dos conveses externos, vinha o disco mediano da espaçonave. Os hangares estavam lá. A LONDON era uma boa nave, uma obra de arte da arquitetura terrana. Aurec se virou e pegou o corredor que levava para o salão estelar dentro da luxuosa nave.

Em seu caminho para a cabine da terrana, ele observou muitos seres alienígenas. A Via Láctea tinha uma biodiversidade muito mais rica do que Saggittor. Os grandes seres graciosos, com as cabeças em forma de disco se chamavam julziisch e eram chamados pelos terranos de blues. Um desses seres passou por Aurec. Do outro lado estava uma criatura reptiloide, um tópsida, ao lado de uma grande criatura com focinho. Aurec pensou que era um unitro.

Aurec passou por uma exposição de arte. Quadros bidimensionais e tridimensionais estavam pendurados na parede, esculturas de todas as eras e de diferentes povos que dominavam o espaço. Ele precisaria de vários anors para estudar a cultura dos galácticos.

Mas, esse agora não era o momento. Aurec notou um quadro tridimensional na parede. Estranhamente, parecia que os dois desenhos na imagem acenavam para ele. Aurec olhou em volta. Ele estava sozinho. Só um homem de pele azul com longos cabelos vermelhos se sentava sonolento em uma cadeira e polia um jarro de bronze.

Alguém acenava? Aurec olhou novamente para a imagem digital, talvez fosse um pequeno filme em um loop infinito. O saggittonense foi lentamente para mais perto. Agora ele viu com precisão. O pequeno homem da foto, na verdade, batia contra o monitor. Como isso era possível? Aurec olhou furtivamente para o de pele azul, mas ele ainda estava ocupado com seu pote.

Então Aurec deu um passo em frente da imagem. Havia duas figuras nela. O “batedor” agora acenou e sorriu novamente. Seu cabelo estava embaraçado, suas orelhas pontudas e olhos arregalados. O homem por trás dele. Era... Aurec fechou os olhos, acreditando em uma ilusão. Mas quando ele os abriu novamente, ainda estava lá.

Sato Ambush!

Como ele entrara numa imagem tridimensional? Como poderia uma imagem interagir com ele?

O homem de orelhas pontudas com o cabelo revolto pintou algo na superfície. Números. Aurec pegou um pequeno picosin que havia recebido de Perry e perspicazmente introduziu esses números.

O desconhecido assentiu na imagem. Sato fez uma reverência.

Os números desapareceram. Então o desconhecido mostrou um monitor no quadro. Aurec reconheceu o portal estelar. Em seguida, o estranho bateu o dedo na têmpora. O que ele queria agora?

Aurec agia como se estivesse num sonho. Ele se virou para o dono. Se Aurec não estava enganado, era um ferrônio. Mas ele não tinha certeza.

Com licença. Humm, que imagem é esta?

O dono colocou o pote de lado, como em câmera lenta, e se levantou com um gemido. Ele se arrastou até Aurec. O saggittonense olhou para o homem interrogativamente.

Isso é... ah, sim. Paixão no Pote. Um trabalho em novas alternativas feito a partir do segundo século NCG. Ele retrata a paixão sexual de dois vasos de plantas a partir da perspectiva de uma mosca apaserense.

Quão sensível era o ferrônio? Aurec queria dizer algo como “bobagem”, então ele se virou e viu dois potes com duas flores que estavam viradas uma para a outra. A imagem tridimensional ia e voltara, como se estivessem voando para fora.

Aurec balançou a cabeça. Onde estavam o desconhecido e Ambush.

O poder expressivo é impressionante, não é? Infelizmente, a posteridade só aprecia esta obra-prima limitadamente — disse o ferrônio.

Ah — fez Aurec.

Antes que fizesse algo ridículo, disse adeus ao homem gentil e se apressou a voltar para o salão estelar.

Aurec pegou o picosin e se certificou de que os números estavam armazenados. Ele analisou os dados.

Eram coordenadas. Elas levavam para o centro da galáxia. A imagem lhe tinha dado coordenadas. Ela tinha lhe mostrado um portal estelar. Aurec ponderou enquanto se colocava de volta no caminho para a cabine de Shel Norkat. O vendedor de seguros terrano veio até o saggittonense. O homem, cujo nome Aurec aparentemente tinha esquecido, parecia exausto, mas satisfeito. Lançou um olhar rápido para Aurec, tornou-se sério e saiu apressado.

Quando Aurec chegou à cabine, apertou a campainha da porta, mas Shel não abriu a porta. Aurec se perguntou se ele realmente deveria usar a chave. Talvez ela já estivesse dormindo e ele só incomodaria. Por outro lado, ele queria falar com ela. Havia coisas mais importantes nesses tempos do que um pouco de sono.

Aurec deslizou o cartão pela fenda. O bloqueio foi liberado e a porta se abriu.

Bem-vindo, Shel Norkat — soprou uma voz sintética amigável como boas-vindas.

Aurec ouviu uma risada no quarto ao lado. Aparentemente Shel não estava sozinha.

Olá? Shel? — gritou ele.

Isso era tudo bastante desagradável. A porta para o quarto ao lado estava aberta. Ele olhou para dentro dele. A luz era amena.

Sentadas na cama estavam Shel e a gerente de cruzeiro Terna Ambyl. Nuas. Elas bebiam de uma garrafa. Aurec levou um tempo até que entendeu. Shel o reconheceu e se assustou. Ela rastejou através da cama e se levantou com esforço. Ela estava bêbada. Aurec percebeu alguns frascos vazios em forma de alfinete no chão. Presumivelmente drogas.

Oh, Aurec, eu não sabia que você estava vindo. Nós, nós... bem...

Ela sorriu inocentemente.

Agora, parecia como se a venda tivesse caído dos olhos de Aurec. Ele tinha a solução! Shel tentou dar explicações, mas Aurec escutou sem entusiasmo. O caso estava claro. Ela tinha celebrado uma pequena orgia com o vendedor de seguros e a gerente de cruzeiro. Com a estimulação das drogas e álcool, ela provavelmente se esquecera de que tinha convidado Aurec. Talvez ela até esperava que tomasse parte.

Tudo isso ficou insignificante. Aurec soube de repente que esta terrana não era para ele. Sua beleza e o encanto por uma estranha graciosa de outra espécie, mas tão semelhante, o tinha levado de forma imprudente a desenvolver sentimentos por ela.

Mas, se fosse dar uma olhada mais a fundo, percebia-se que no nível do caráter eles estavam a milhões de anos-luz um do outro. Muito mais importante, neste momento, não era este fato, mas que o saggittonense percebeu que tinha coordenadas importantes.

Shel, eu sinto muito. Essa não é o tipo de companheira que eu gostaria. Divirta-se.

Aurec deu meia volta, atirou o cartão-chave no chão e saiu da cabine. Então Shel chamou seu nome, mas ele não se importava mais.

Ele tinha de ir até Perry Rhodan!

 

***

 

Temos um caminho através da barreira. Nós voaremos através do portal estelar e selecionaremos essas coordenadas. No lado oposto provavelmente está outro portal.

Perry Rhodan olhou para o saggittonense, pasmo.

E você descobriu isto tudo em uma imagem na qual estavam Sato e um estranho, mas que, na realidade, eram dois vasos de plantas?

Aurec torceu sua boca.

Você não acredita em mim?

Claro que sim. Já recebi mensagens mais incomuns... eu acho.

Ele não conseguia perceber que Perry estava brincando com ele. Para Aurec, agora estava claro que ele tinha de trabalhar num outro plano secreto. E Dolphus não poderia saber sobre ele em hipótese alguma.

 

  1. Capítulo 12 

Luta pelo poder em Saggittor

 

Aurec e Perry Rhodan chegaram nas primeiras horas de 22 de novembro de 1285 NCG na central de comando da SAGRITON. Os membros da tripulação em seus uniformes monótonos os saudaram. Aurec usava um traje preto cinzento.

O almirante Dolphus também estava na ponte. Desconfiado, ele olhou para Aurec e Rhodan.

Desde quando estrangeiros podem bisbilhotar por aí durante uma missão tão importante, da qual depende o futuro de Saggittor, na central de operações? — perguntou Dolphus, zangado.

Aurec lançou para o ser de sua própria espécie um olhar de desprezo.

Perry Rhodan é um aliado de Saggittor. Seu conhecimento e experiência são imprescindíveis nesta missão. Almirante, agora execute a minha ordem. A primeira frota de Saggittor deve navegar em direção à barreira.

E o que será da segunda frota? Afinal, ela tem nossas melhores espaçonaves ofensivas? — perguntou Dolphus.

Ela estará sob o comando de Rauoch e será mantida como reserva.

Dolphus ficou em silêncio e passou adiante as ordens de Aurec. O Chanceler de Saggittor aguardava pelo momento que Dolphus mostraria suas verdadeiras cores. Ele esperava a todo momento por uma tentativa de assassinato. Porém, as horas se passaram e o voo para a barreira correu sem contratempos.

Depois de cinco diats e sete horars, chegaram ao centro. Aurec estava cansado porque tinha dormido pouco, sempre à espera de um ataque de Dolphus. Mas nada tinha acontecido.

A primeira frota de Saggittor tinha quase 200.000 couraçados — 100.000 naves tinham ficado para trás, junto com as frotas dos varnidenses, troettenses, holpigonidas e multivons, para proteger os mundos — Waskoch informou que eles já eram esperados.

Existem espaçonaves discoides. Eu conto 270.000 unidades. Eles sabiam que estávamos chegando — disse o primeiro-oficial.

Que surpreendente — disse Aurec, olhando para Dolphus. — Alguém os informou previamente. Um amigo de Rodrom, certo, Dolphus?

Ele apenas deu de ombros.

Eu não sei do que está falando. Temos de agir e atacar os kjolles.

Aurec respirou fundo. 270.000 espaçonaves inimigas. Eles eram numericamente superiores aos saggittonenses. Aurec deu a ordem de ataque, mas os saggittonenses deveriam atacar em associações, a fim de ter em cada setor uma superioridade numérica. Ele deu o comando para que, em caso de emergência, recuassem em vez de serem destruídos. Dolphus reagiu à ordem apenas com o comentário: — Covarde. — Aurec pouco se importou. Então, a batalha começou em torno do centro de Saggittor.

 

***

 

Rodrom seguia entediado a batalha em frente à barreira. Ele elogiou a si mesmo por não ter matado Dolphus antes de ter falado com ele. O interrogatório do perdedor saggittonense valera a pena, pois ele ao menos ficara sabendo do ataque e tinha sido capaz de preparar os kjolles.

Rodrom já se enchia com uma certa curiosidade para saber se os kjolles provariam ser lutadores dignos. Uma coisa era ficar por gerações atrás do campo defensivo e executar com segurança as ações individuais contra os povos que haviam descoberto o segredo da barreira, outra era se engajar em uma guerra aberta.

Exceto pelas ações punitivas contra os povos auxiliares subjugados no centro, como os niders, os kjolles já há milênios não realizavam nenhum conflito aberto contra os principais povos de Saggittor. E ele ainda não tinha superado a decepção por seu plano ter falhado. Tinha sido tão criativo, uma verdadeira jogada de mestre, digna de seu gênio, colocar Rhodan em descrédito com os saggittonenses, transportar a LONDON para o passado de um universo paralelo em que não havia nenhum Perry Rhodan.

Mas o bruxo japonês tinha arruinado tudo. Por que ele aparecera de repente? Alguém tinha de ter apoiado este Ambush a se intrometer na jogada de mestre de Rodrom.

Provavelmente um espião de DORGON. Quem mais poderia sabotar os planos de MODROR e seus companheiros?

Mas agora Rodrom estava um passo à frente novamente. Aurec e Perry Rhodan vieram voluntariamente para a armadilha. Agora era hora dos kjolles e de Dolphus colocarem suas habilidades à prova.

Somente se fossem capazes de destruir a frota de Saggittor e lhe presenteassem com as cabeças de Rhodan e Aurec, esta missão seria aceitável.

A batalha espacial começara. Agora seria o lance de Dolphus.

 

***

 

A batalha ocorria a algumas centenas de milhões de quilômetros da barreira. As naves menores dos kjolles não poderiam tirar proveito de sua superioridade numérica, porque o poder de fogo combinado dos couraçados saggittonenses que operavam juntos, em pequenas formações, era devastador. Eles produziam um sobrepeso e varriam partes da frota do oponente.

Até agora tudo correra conforme o planejado.

Temos distúrbios no tráfego de rádio e localização — informou Waskoch de repente.

Estamos sob ataque? — perguntou Aurec.

Não, Chanceler! Parece... como se a interferência viesse de dentro da SAGRITON.

Agora Dolphus pulou, tirou seu radiador e o apontou para Aurec. Ao mesmo tempo uma dúzia de soldados guarda-costas de Dolphus invadiram a central de comando.

Minhas unidades de elite ocupam a SAGRITON. Você perdeu, Aurec.

Sério? Como você vai explicar isso para o Conselho?

Como eu explicarei? A SAGRITON é destruída em batalha. Você e seus homens de confiança perdem suas vidas. Eu posso me colocar em segurança numa cápsula de salvamento. Talvez não com honra, mas eu compensarei isso com uma vitória sobre os kjolles. Pelo menos oficialmente.

Na verdade será uma vitória aparente. Os kjolles se retiram para trás da barreira e os saggittonenses se tornam um povo auxiliar de Rodrom — determinou Rhodan.

Cale-se, estrangeiro indigno!

Rhodan permaneceu em silêncio.

E agora, curso para o campo de batalha, Waskoch! Eu vou até aqueles que realmente são fiéis a Saggittor e a seu Chanceler – isto é, eu – e que serão recompensados com altos postos. O que está acontecendo hoje é para o bem-estar de Saggittor e da comunidade galáctica.

Porém, Waskoch cruzou os braços sobre seu estômago e se encostou no console. Dolphus ficou irritado. Ele gritou com o navegador para traçar o curso para próximo do setor onde estava a luta. Mas mesmo este comando foi recusado. Ele apontou para o navegador, mas, de repente, um campo de energia se erigiu em volta dele. A mesma coisa aconteceu com seus doze soldados.

Aurec fez um gesto depreciativo.

Eu esperava por tal tentativa muito mais cedo. Será que você realmente acreditou mesmo por um noat10 que eu confiaria em você?

Waskoch assumiu o comando novamente.

A comunicação está funcionando novamente. Relatório de Serakan, a situação na espaçonave está sob controle. Os homens de Dolphus estão dominados.

Mas... — Dolphus estava visivelmente abalado.

Aurec ordenou que Waskoch desativasse o campo de energia de Dolphus. Waskoch hesitou, então ele finalmente se extinguiu.

Assassino! — proferiu Aurec lentamente.

Eu sou inocente! Foi Rodrom! Eu... eu... sou inocente! — gritou desesperadamente Dolphus e apontou o radiador para Aurec.

Mas ele não pôde nem mesmo mantê-lo em linha reta. O almirante caiu e estava tremendo o corpo todo.

Desista, Dolphus. Já não faz sentido. Seu plano falhou.

Mas... mas... ele foi tão bem pensado.

Não, ele não foi. Estava baseado apenas em um assassinato cruel de minha família.

O suor escorria pela testa de Dolphus. Suas bochechas tremiam, um arrepio percorreu sua espinha.

Aurec agora levantou o radiador e apontou para o velho saggittonense. Mas Dolphus atirou primeiro. Porém, ele errou o alvo. Aurec caminhou lentamente em direção a ele. Ele sabia que Dolphus não era mais capaz de enfrentá-lo.

O almirante, aparentemente, tinha muito medo. Ele se esquivou lentamente e implorou a Aurec para ficar longe. Os outros oficiais estavam de pé no final da área e tinham sacado suas armas por segurança.

Dê-me a arma agora!

Mas Aurec interiormente esperava que Dolphus não lhe desse um motivo para matá-lo. Perplexo, Dolphus olhou para ele, balançando a cabeça.

Não, está tudo acabado!

Então Dolphus encostou a arma na sua têmpora e puxou o gatilho. Tinha acabado. Dolphus estava morto.

Aurec apontou a arma para o cadáver e puxou o gatilho. O radiador desintegrou o corpo. Assim eram tratados os traidores. Um funeral, um lembrete físico de sua existência era negado. Assim como o corpo de Dolphus foi desintegrado, também deveria ser soprado para longe até mesmo a memória dele.

Apenas seus atos horríveis continuariam para a posteridade na memória. Como um memorial e advertência para as gerações futuras.

 

***

 

Ele teve o que merecia — disse Perry Rhodan a Aurec.

O saggittonense se virou para a janela panorâmica e olhou para as estrelas. Ali e acolá brilhava. Um sinal da luta entre os saggittonenses e os kjolles.

Sua morte não traz de volta a minha família. Mas talvez isto traga algum alento para suas almas e satisfação a SAGGITTORA.

Rhodan sorriu e colocou a mão no ombro do saggittonense.

Talvez seja assim.

Então, sem transição, ficou novamente sério. — No entanto, nada foi ganho. Devemos agir imediatamente e tirar os kjolles de sua galáxia.

Aurec observou como os restos do cadáver de Dolphus eram retirados da central de comando. Rhodan estava certo. Estava na hora de acabar com essa batalha com um grande golpe. Mas ainda seriam necessários alguns diats. A frota saggittonense tinha que segurar o adversário.

Waskoch, com velocidade máxima para o portal estelar.

 

***

 

A SAGRITON alcançou, depois de apenas quatro diats, o portal estelar de Saggittor. A segunda frota de Saggittor já estava lá, esperando a nave capitânia. Rauoch comandava 100.000 couraçados.

As quatro estações de alimentação do portal o rodeavam em círculo a uma distância de 25.000 quilômetros.

Agora veremos se os homens na imagem estavam certos — sussurrou Aurec para Perry Rhodan. O Chanceler dos saggittonenses se levantou da poltrona em formato de trono no centro da ponte, foi até a ampla janela que estava diante dele e olhou para as espaçonaves saggittonenses.

Waskoch, envie as coordenadas para o portal estelar — pediu ao primeiro-oficial.

As coordenadas foram transmitidas em uma determinada frequência. As quatro estações energéticas iniciaram seu trabalho. Um feixe vermelho se movia lentamente de estação para estação até que o portal foi inteiramente desenhado num círculo vermelho.

Por centenas de milhares de anors esses seres foram os senhores de nossa galáxia — Aurec falava pelo intercomunicador para os homens e mulheres a bordo das espaçonaves. — Rodrom provou com o assassinato da minha família e pela tentativa de golpe por Dolphus que não devemos confiar neste status quo. Precisamos terminar o que os nossos antepassados começaram. Hoje realmente estamos lutando pela liberdade de Saggittor!

Os oficiais e técnicos na central de comando da SAGRITON sapatearam, carimbando sua aprovação. Aurec respirou fundo, então deu a ordem para voarem através do portal estelar.

 

  1. Capítulo 13 

Libertação de Saggittor

 

O voo através do portal estelar durou apenas alguns momentos, então a SAGRITON estava no centro da galáxia. Aurec primeiro reconheceu algumas dúzias de naves disco dos kjolles. Seu segundo olhar foi para as próprias indicações da localização. Mais e mais espaçonaves dos saggittonenses penetraram através do portal.

Waskoch analisou o ambiente.

Nós estamos a 17 anos-luz dentro da barreira. Localizamos 176 naves inimigas e três estações espaciais.

Exija a rendição. Caso não obedeçam, incapacite-as.

Aurec não destruiria inúmeras vidas desnecessariamente. Embora os kjolles fossem seus inimigos, ele não se permitiria agir como eles. Ele tinha que ser melhor. E ele só seria capaz de provar isso com ações apropriadas.

Os kjolles não responderam ao ultimato. 15.000 unidades saggittonenses atacaram as estações espaciais e destruíram o armamento ofensivo. As naves disco se retiraram depois de uma breve troca de tiros. O portal estelar estava na mão deles.

Rauoch, você vai para a barreira. Verifique se há estações que produzem a barreira. Se achá-las...

—... Eu vou destruí-las. Entendi, Chanceler! — informou Rauoch. Com 25.000 naves, ele desapareceu no hiperespaço. Se a barreira fosse destruída, eles poderiam produzir uma ligação com a frota.

Os kjolles aparentemente foram tomados completamente de surpresa. Depois da fuga do restante da frota deles, Aurec esperava a chegada de reforço para eles, mas nada aconteceu. Waskoch tinha terminado sua análise. No centro havia muitas turbulências, hipertempestades e buracos negros. Lá, havia no total 83 sistemas solares, dos quais metade aparentemente estava ocupada.

Até agora, os saggittonenses tateavam no escuro. Quão grande era a força dos kjolles? Havia outros povos? Waskoch informou que a maior concentração de espaçonaves e assinaturas energéticas vinha de um sistema a apenas 7 anos-luz de distância deles. Esse era, aparentemente, o sistema natal.

Devemos atacar lá? — perguntou o primeiro-oficial da SAGRITON.

Aurec olhou interrogativamente para Rhodan.

Esta é uma decisão da qual não posso te aliviar — disse Rhodan. — O elemento surpresa está do seu lado. No entanto...

Aurec sabia o que Rhodan queria dizer. Uma batalha devastadora parecia inevitável. Porém Aurec queria evitar isso.

Nós vamos ficar aqui por enquanto. O objetivo primário é garantir o portal estelar e a destruição da barreira. Porém, enviaremos naves de patrulha. Se aparecerem alvos militares, vamos atacar.

 

***

 

Aurec seguia tenso as batalhas espalhadas perto do portal estelar e ficou aliviado quando Rauoch finalmente enviou uma mensagem de sucesso. Sua frota encontrara centrais energéticas e de controle no âmbito da barreira e as destruíram. Nestes locais, a barreira tinha caído. A frota saggittonense agora podia voar livremente pelo centro.

Enquanto isso, as avaliações das naves de patrulha terminaram. Elas encontraram três grandes bases militares dentro no sistema a sete anos-luz. A partir dali partiam as naves disco. A defesa era relativamente fraca. Aparentemente, depois de gerações, os kjolles nunca tinha esperado que a barreira pudesse ser desativada.

Aurec ordenou o ataque contra as bases militares depois que as frotas saggittonenses tivessem se unido. A frota dos kjolles havia se retirado após o colapso da barreira.

 

***

 

Os kjolles foram tomados completamente de surpresa. Houve pânico e agitação na sala de comando da base militar no “inicio”. Masor tinha ajustado para uma luta prolongada diante da barreira contra os saggittonenses. Seu plano tinha sido esfregar as forças de combate inimigas lentamente e começar algum tempo depois os ataques contra os mundos de origem. Mas de repente os saggittonenses tinham vindo pelo portal estelar e destruído as estações da barreira. Os kjolles não estavam preparados para uma coisa dessas. Eles estavam preparados para a ofensiva, não para agir na defensiva. A defesa das bases militares e mundos natais estavam orientadas para possíveis revoltas internas dos povos auxiliares dentro da barreira, mas não para uma batalha defensiva contra a frota saggittonense.

Os caças espaciais saggittonenses voaram ao longo das estações. A carga destrutiva detonou pouco tempo depois em uma luz brilhante e fez tudo em um raio de 1.000 metros virar escombros.

Lentamente, os kjolles ativaram as primeiras baterias de defesa. Eles derrubaram vários caças, mas dificilmente poderiam enfraquecer o número de atacantes.

Masor deu ordem para que o resto da frota de caças de interceptação partisse. Apressadamente, ele procurou Rodrom em seus aposentos e apresentou o relatório.

Você, seu tolo miserável, falhou totalmente!

Masor se ajoelhou e implorou por misericórdia. Rodrom não tomou nem mesmo conhecimento dessa súplica.

A WORDON está novamente intacta?

Sim, Mestre! Com exceção de alguns danos no hangar é...

Bom, isto era tudo o que eu queria saber — a entidade interrompeu o pequeno kjolle.

Depois Rodrom se dissolveu.

Masor ficou para trás. Ele olhou para fora pela janela. Três caças saggittonenses voavam passando por um arranha-céu, que fora construído como um cogumelo. Eles atiraram nas colunas de sustentação, que cederam. Com um grande estrondo, a construção desabou em chamas ao chão.

Ele leu um relatório enviado por um oficial. Parecia ruim.

Tinha acabado para ele e para o seu povo. Rodrom deixava o sistema com a WORDON e Masor sabia que ele não deixaria os kjolles para trás impunes.

 

***

 

Perry Rhodan parou diante da tela com os braços cruzados na parte de trás e olhou para a batalha.

Duas naves disco perseguiam um caça saggittonense para destruí-lo. Mas sua alegria durou pouco, já que outro grupo de caças voou sobre eles e os cobriu em uma saraivada de raios de energia, até que explodissem.

Rhodan viu a WORDON deixar o sistema. Cerca de vinte espaçonaves dos saggittonenses atacavam a nave asteroide, mas foram destruídas uma após a outra. Rhodan sabia que talvez não pudessem parar a WORDON. Ele tinha secretamente esperado que ela ainda estivesse incapaz de manobrar, o que, infelizmente, provou ser uma falácia.

Rodrom de repente apareceu na central de comando da SAGRITON.

É assim, Perry Rhodan. Então você voltou a alcançar mais uma pequena vitória. Mas não se alegre muito cedo, seu pequeno e insignificante terrano.

Seu destino, assim como o das pessoas na LONDON, está selado. Apesar de você ter escapado novamente da morte, pode ter certeza de que ainda existem outras pessoas que assim como eu almejam o seu fim e neste momento se preparam para isso.”

Essas foram as últimas palavras da encarnação, então o holograma, ou o que quer que fosse, desapareceu. A WORDON ignorou alguns ágeis projéteis delgados, tomou curso para o sol do sistema e desapareceu na corona. O sol se expandiu brevemente, então ficou mais escuro antes de começar a explodir. A WORDON tinha deixado o sistema enquanto isso.

Aurec, o sol se transformará numa supernova! — relatou o operador de localizador.

Todas as naves, retirem-se imediatamente do sistema! — ordenou o saggittonense.

As naves seguiram imediatamente o comando.

Para os kjolles, no entanto, tudo estava acabado. Suas espaçonaves explodiram todas ao mesmo tempo. Era como se um mecanismo de autodestruição coletivo tivesse sido acionado.

 

***

 

Masor ainda estava na sala de Rodrom, vendo o sol crescendo continuamente até chegar ao seu planeta. Ele e seu povo tinham falhado. Eles estavam sendo punidos. Todas as espaçonaves explodiram neste momento. Não importava onde estivessem. Rodrom havia ativado o comando de êxodo para os kjolles.

Rodrom não queria que o equipamento técnico caísse nas mãos dos saggittonenses. Essa era uma das razões por que ele disparara contra o sol com a bomba de nova.

A outra era que os kjolles deveriam ser erradicados e assim punidos por seu fracasso. Embora ainda houvesse kjolles e instalações técnicas em 22 outros sistemas solares, as espaçonaves não existiriam mais. O impulso de êxodo explodiria todo o equipamento técnico.

Seu povo fizera um pacto com o diabo, que agora tinha expirado. O grande sol agora também chegava ao seu planeta e queimava a tudo. Masor se despediu de sua vida.

 

***

 

Aurec não sentiu nenhuma satisfação enquanto observava as imagens da destruição do sistema dos kjolles pela imagem tridimensional na central de comando da SAGRITON. Rhodan observou friamente a queda deste sistema estelar.

A vingança de Rodrom — disse com dificuldade o terrano.

Para Aurec era difícil entender o quão cruel era Rodrom. Ele descartava facilmente seus povos auxiliares. De todos os lugares os comandantes de espaçonaves saggittonenses relatavam a explosão de naves disco dos kjolles. Uma onda de autodestruição que atingia qualquer veículo espacial.

O perigo dos kjolles em Saggittor fora banido. Aurec estava satisfeito, mas não muito, devido aos milhões de mortes. Ele estava um pouco aliviado, mas nada mais.

1.320 unidades dos saggittonenses não tinham sobrevivido às lutas desde o início das operações. Segundo as primeiras estimativas, aproximadamente 300.000 saggittonenses tinha perdido suas vidas.

Aurec pensou nas 300.000 famílias afetadas. As famílias de bilhões agora estavam em segurança e não estavam mais expostas à mercê de um possível ataque de Rodrom. Fora para isso que 300.000 saggittonenses tinham morrido. Porém Aurec ainda estava de coração pesado. Sabia muito bem como era sentir uma perda.

Aurec deu a ordem para cuidar dos kjolles sobreviventes. Todos os sistemas solares povoados deveriam ser procurados. Militarmente, os kjolles estavam acabados, mas eles ainda estavam em Saggittor. Além disso, tinham os povos auxiliares que os serviam. De repente Saggittor tinha mais algumas espécies.

A tarefa agora era fazer a paz com eles e construir uma convivência pacífica. De maneira nenhuma esta nova era deveria ser moldada pela vingança. Porém, isso custaria a ambos os lados muita força e esforço para alcançar este objetivo.

Aurec deu a ordem a Waskoch para que voasse com a SAGRITON de volta para Saggittor.

Aurec se retirou para seus aposentos. Algum tempo depois, Perry Rhodan foi vê-lo.

Aurec olhou para fora pela janela, para o hiperespaço turbilhonante.

O que está acontecendo com você? — perguntou Rhodan.

Eu não sei — respondeu Aurec. — Por um lado eu ainda estou profundamente triste por causa da minha família, mas então eu sinto muito orgulho dessa vitória para os saggittonenses e agora tenho de guiar um novo tempo de paz.

 

  1. Capítulo 14 

Despedida

 

29 de novembro de 1285 NCG

O dia da partida havia chegado. Aurec tinha realizado uma grande festa de gala de despedida em honra dos galácticos. Rhodan ficara muito satisfeito com este gesto.

O saggittonense fez um breve discurso, que fechou assim: — Galácticos, especialmente Perry Rhodan! Eu e nossa galáxia temos muito o que lhes agradecer. Através da ação heroica da tripulação da LONDON e da abnegação de um homem, ou seja, Perry Rhodan, a galáxia obteve a libertação dos servos da entidade misteriosa MODROR, que nós conhecíamos há milênios unicamente através dos desconhecidos, e pela interrupção das ações criminosas de Dolphus.

Ele parou por um momento. Rhodan ficou intrigado com esta declaração. O olhar de Aurec vagou pela multidão. Então ele continuou: — Vocês merecem ser chamados de amigos. Por isso, eu prometo, em nome do povo saggittonense, vamos manter a amizade com Perry Rhodan e os galácticos. Estaremos sempre com vocês, galácticos!

Um estrondoso aplauso irrompeu após o discurso do novo chanceler. A LONDON começou com os preparativos para a partida.

Rhodan agradeceu a Aurec pelas suas amáveis palavras. Eles apertaram as mãos e se abraçaram.

Adeus, meu amigo terrano! — despediu-se Aurec.

Digamos melhor! Até breve, meu amigo saggittonense! — despediu-se Rhodan.

O terrano foi o último a entrar na LONDON antes da nave gigante desancorar do portal e se dirigir para órbita.

 

***

Para onde agora, Perry? — perguntou Nordment.

Eu acho que para o terceiro ponto da extrema-direita11 — disse ele.

Wyll olhou para ele, confuso. Rhodan riu.

Leve-nos para casa!

 

FIM

 

Saggittor foi livrada da base secreta de Rodrom. No entanto, a entidade praticou uma vingança cruel contra seu próprio povo auxiliar. A LONDON retorna para o Grupo Local.

No próximo episódio, Nils Hirseland retrata a conclusão da série da LONDON. O volume 8 leva o título: O FIM DA LONDON

 

  1. COMENTÁRIO 

 

Com este volume, a odisseia da LONDON está chegando ao fim. Com a ajuda de Sato Ambush, Perry Rhodan conseguiu tirar a espaçonave de cruzeiro da armadilha de Rodrom.

No curso do episódio, tornou-se claro que Perry Rhodan e seus terranos estão, provavelmente, metidos em um confronto gigantesco no nível dos Alto Poderes, conduzido não pelos habituais suspeitos previamente conhecidos, mas por outras entidades completamente diferentes.

É significativo que esses conflitos tenham colocado em ação SI KITU, uma entidade esquecida, cujo plano aparentemente envolve Sato Ambush como seu “protegido”. Nisto eu me permito a pequena observação de que seu comportamento é francamente simpático e acolhedor para com o pararrealista japonês.

Seja como for, uma coisa é certa, Perry Rhodan e seus terranos estão diante de um perigo cuja extensão realmente não podem avaliar.

 

Jürgen Freier

 

  1. GLOSSÁRIO 

 

Dolphus

Dolphus é um saggittonense. Em 1285 NCG ele era comandante da frota espacial saggittonense e um saggittonense poderoso na galáxia. O militarista iniciou em outubro de 1285, junto com Aurec, o filho do Chanceler, uma expedição para o Grupo Local. Quando Dolphus captou sinais de rádio da LONDON, ele enganou Aurec e provocou um ataque, porque ele — em sua opinião — finalmente tinha que ter uma luta. Porém, Aurec impediu o pior.

O descontentamento de Dolphus cresceu quando uma aliança foi celebrada com Perry Rhodan e os galácticos. Então, ele se tornou um ajudante disposto de Rodrom e fez com este uma aliança tendo em perspectiva o domínio sobre Saggittor.

Dolphus esteve envolvido no assassinato do Chanceler e sua família e assumiu o reinado por um curto período de tempo. Ele empurrou a culpa pelo assassinato do Chanceler e sua família para os galácticos e iniciou o planejamento para uma invasão ao Grupo Local.

Após o retorno da LONDON do universo paralelo e, portanto, também o retorno de Aurec e Perry Rhodan, os planos de Dolphus foram frustrados. O Conselho de Saggittor destituiu Dolphus, mas lhe deixou no comando da frota.

Em novembro deste ano, Dolphus tentou matar Aurec a bordo da SAGRITON. Sua tentativa falhou e Dolphus escolheu cometer suicídio.

Características

Data de nascimento: cerca de 1200 NCG

Data de falecimento: novembro de 1285 NCG

Local de nascimento: Saggittor

Tamanho: 1,67 metro

Peso: 65 quilogramas

Cor do cabelo: preto, cortado curto, barba castanha

Olhos: castanhos

Primeira aparição: Dorgon nº 5

Última aparição: Dorgon nº 7

 

Kjolles

 

Os kjolles são um povo do centro da galáxia Saggittor (M-64). Eles estão próximos à nebulosa escura que serviu de base para Rodrom por milênios. Os kjolles são um povo auxiliar de Rodrom ao qual foi dada a tarefa de controlar os sistemas solares habitados e de garantir que ninguém rompesse a barreira energética em torno do centro da galáxia.

 

Aparência

Um kjolle, independentemente do sexo, tem 1,40 m de altura, corpo magro e desengonçado, com dois braços e pernas. A cabeça tem forma de melão e é desproporcionalmente grande. O rosto dos kjolles é dominado por dois grandes olhos embaixo de uma testa alta e um nariz em forma de batata. A boca é estreita e pequena.

 

História

Os kjolles são um povo da galáxia Saggittor que foi recrutado dezenas de milhares de anos atrás por Rodrom. Eles também dominam os sistemas solares habitados na região de barreira e controlam seus habitantes como seus povos auxiliares, como os niders, semelhantes a peixes. Possíveis nações emergentes eram atacadas pelos kjolles sem piedade, até que os povos de Saggittor se opuseram a seus opressores. Dali em diante, os kjolles se limitaram a defesa e caíram no esquecimento, porque não interferiram mais ativamente nos assuntos da galáxia.

Em novembro de 1285 NCG os povos de Saggittor iniciaram uma invasão e vieram através de um portal estelar para dentro da barreira. Rodrom puniu os kjolles com uma ordem geral de autodestruição que destruiu todas as suas espaçonaves (naves disco geralmente com diâmetro de 100 metros). O principal sistema dos kjolles foi destruído por uma supernova iniciada por Rodrom. Os kjolles foram dizimados em sua maior parte e jogados tecnologicamente de volta para a era pré-estelar.

O chanceler saggittonense Aurec se esforçará no futuro por uma coexistência pacífica com os kjolles.

 

Barreira do centro de M-64

 

Um campo energético esférico com um diâmetro de 358 anos-luz. A barreira rodeia o buraco negro central de Saggittor e protege seu interior completamente. Foi criado pela entidade MODROR como um local para estacionar os exército de seu povo auxiliar kjolle.

A barreira é mantida com uma variedade de projetores em grandes plataformas, que obtém suas necessidades energéticas diretamente dos sóis próximos. É possível ganhar acesso por meio de um código, e também por vulnerabilidades estruturais, mas isso é muito raro.

Perto da sistema natal dos kjolles há um portal estelar. Este era usado principalmente para transportes até que os saggittonenses tomaram conhecimento dele através de SAGGITTORA em 1285 NCG.

A barreira é impenetrável por meios convencionais, tais como metagrav, propulsores lineares ou propulsores de transição. Na faixa da velocidade subluz, a barreira também é impenetrável. Suposições dos saggittonenses indicam que a barreira é um campo energético suportado com componentes hexadimensionais, semelhante ao campo flexível do Enxame, mas de uma estrutura diferente.

Com ajuda dos terranos, os saggittonenses finalmente conseguem superar essa barreira em 1285 NCG, tirando proveito do portal estelar, e destroem as centrais energéticas. A barreira do centro desaparece após todas as estações serem destruídas.

Portal estelar

 

O portal estelar é um túnel dimensional ou transmissor gigante que irradia instantaneamente espaçonaves a uma distância de milhões de anos-luz. Não se sabe quem construiu os portais estelares e nem por quem essa tecnologia é explorada.

Até agora há somente três portais estelares conhecidos. Um a cerca de 5 milhões de anos-luz da Via Láctea, fora da extremidade do Grupo local. Um segundo em uma ramificação da galáxia Saggittor, M-64. Um terceiro está localizado perto do centro de M-64.

O portal estelar consiste em quatro estações espaciais dispostas circularmente. É necessário transmitir a estes, numa frequência específica, as coordenadas para permitir que as estações sejam ativadas e seja criada uma ligação para outro portal.

As tentativas de investigar as estações espaciais falharam até agora, porque, em seguida, elas fogem para o hiperespaço. Aparentemente também é necessária uma contraestação. Coordenadas arbitrárias não são aceitas.

Os saggittonenses descobriram a existência de tais portais através de uma mensagem misteriosa da igualmente misteriosa e taciturna superinteligência SAGGITTORA. Os terranos descobriram, através dos saggittonenses, no final de 1285 NCG a existência de um portal no Grupo Local.

1Nota do Revisor: Foi grafado no original como FROSER MATSCHO, mas trata-se de um erro do próprio autor, o nome correto é FROSER METSCHO, exceto no trecho em que Gucky “brinca” trocando o nome da espaçonave para FROSER MATSCHI.

2Nota do Revisor: O autor grafou erroneamente como Gluydor, o nome correto, usado no Dorgon 6 e neste livro, é Glyudor.

3Nota do Revisor: Upanishad é uma filosofia e, simultaneamente, uma arte marcial que surgiu no Grupo Local de ESTARTU. Através da formação especializada suas próprias forças são aperfeiçoadas para permitir um domínio quase fantástico do corpo e mente. O treinamento inclui dez níveis que precisam ser alcançados pelos alunos, até alcançar o nível de Guerreiro Doutrinador do Conflito Eterno.

4Nota do Revisor: Assim como no original, deixado em japonês. A catana (em japonês: 刀, katana) é o típico sabre longo japonês. No entanto, esta palavra foi incorporada na língua portuguesa no século XVI, após a chegada dos portugueses ao Japão. Por essa razão, nestes quase quinhentos anos, essa palavra foi perdendo a sua pronúncia japonesa aportuguesando-se e ganhou novos sentidos em português, especialmente nas variantes europeia, africana e asiática, designando uma variedade de objetos como espadas, sabres ou facões. Com o renovar do interesse pela cultura nipônica nos vários países de língua portuguesa, nos últimos anos, a palavra catana reforçou o seu sentido original.

5Nota do Revisor: San (さんん?) é o título honorífico japonês mais comum de todos e, provavelmente, o mais conhecido fora do Japão. É usado para referir-se a alguém de mesma hierarquia, quer etária, quer profissional. Aplica-se tanto a homens como a mulheres, e a tradução mais próxima ao português é senhor e senhora. Sempre se utiliza na segunda ou terceira pessoa. O autor erroneamente usou ele iniciando em maiúscula, Sato-San, mas o correto é sempre em minúscula, Sato-san. (https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%ADtulos_honor%C3%ADficos_japoneses)

6Nota do Revisor: SI KITU é uma entidade que se coloca como a guardiã da Segunda Lei da Termodinâmica que refere-se à entropia e não pode ser destruída. Por isso, também é chamada de mãe de entropia. Embora SI KITU esteja no mesmo plano que os cosmocratas e caotarcas, não pertence a nenhum dos dois grupos, mas apenas segue os seus próprios interesses. Suas verdadeiras intenções e objetivos são desconhecidos, assim como a sua importância para a estrutura do cosmos. Ela ajuda às vezes um lado, às vezes o outro lado, e é por isso que carrega o apelido de kahaba (marafona - prostituta, mulher da vida).

7Nota do Revisor: Iratio Hondro, cujo título oficial é “presidente de Plofos”, foi a partir de 2308 até 2329, um ditador plofosense insurgente contra a Terra e Perry Rhodan. O mais sedento de poder, carismático e frio em seu comportamento, e exigente Hondro odiava a Terra e Perry Rhodan com toda a convicção de sua alma. Ele via no procedimento atual o caminho errado para a conquista do espaço e perseguiu um caminho de dureza.

8Nota do Revisor:  Inge Meysel, grafado erroneamente pelo autor como Inge Meisel, foi uma famosa atriz alemã.

9Nota do Revisor:  Imperador Jimmu (神武天皇, Jinmu-tennō) foi o primeiro Imperador do Japão, de acordo com a tradicional lista de sucessão. Ele também é conhecido como Kamuyamato Iwarebiko e seus nomes pessoais são Wakamikenu no Mikoto ou Sano no Mikoto. A casa imperial do Japão baseia-se nos descendentes diretos de Jimmu. Nenhuma data pode ser afirmada sobre sua vida e reinado.

10Nota do Revisor:  Até então a unidade de tempo dos saggittonenses era dividida como: anor – ano, semor – semana, diat – dia, horar – hora, nuto (em Saggittor) ou somi (em Saggitton) – minuto e peq-nuto corresponde a meio segundo. Então aparentemente um noat corresponde a um segundo.

11Nota do Revisor:  Uma referência a Peter Pan que guiou Wendy e seus irmãos para a Terra do Nunca – muitas vezes usada como uma metáfora para o comportamento eternamente infantil, a imortalidade e o escapismo – ao voar “a segunda estrela à direita e então direto, até amanhecer”. O romance deixa explícito que ele criou essas direções na hora, por uma viagem intuitiva; o mesmo que Rhodan fez jocosamente nesse momento, o que Wyll não entendeu por ser uma referência pré-estelar.